Transportes lideram emissões de gases-estufa em SP

O dado mostra que o Estado tem uma matriz de emissão de CO2 diferente da do País, cujo principal vilão é o desflorestamento

AE |

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O setor de transportes foi o principal responsável pelas emissões de gases causadores do efeito estufa no Estado de São Paulo em 2005, segundo o inventário estadual de emissões divulgado hoje pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Dos 143 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) emitidos em São Paulo naquele ano, 27,8% são oriundos do transporte - em sua maior parte carros e transporte de cargas por caminhões. O dado mostra que o Estado tem uma matriz de emissão de CO2 diferente da do País, cujo principal vilão é o desflorestamento.

Na divisão entre grandes grupos no Estado de São Paulo, o setor que mais poluiu em 2005 foi o de energia (57%), já incluído o ramo de transportes. A agropecuária figura em segundo lugar nas emissões de gases (20%) e em terceiro estão as mudanças no uso da terra e florestas (9%). Por último estão as atividades das indústrias (8%) e a geração de lixo e resíduos (6%).

São Paulo foi o primeiro Estado a fazer um inventário com base em padrões internacionais definidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). A classificação entre esses setores e a metodologia de coleta dos dados nesses padrões permite a comparação com inventários elaborados em outras regiões. Os dados foram levantados após três anos de consulta pública, que contou com a participação de 94 instituições e 291 pesquisadores. Como a consulta se estenderá até 31 de dezembro, o número final ainda pode sofrer alguma modificação.

"O inventário serve como um diagnóstico para definir ações contra as mudanças do clima", explicou Fabio Feldman, ex-candidato do PV ao governo paulista e criador do Programa Estadual de Mudanças Climáticas (Proclima), que abrange o inventário. O passo seguinte ao inventário, segundo a atual secretária-executiva do Proclima, Josilene Ferrer, é estabelecer metas específicas de redução das emissões com os setores, o que deve ocorrer ao longo de 2011. "Por enquanto, não dá para afirmar se as metas futuras serão obrigatórias", disse Josilene. O ideal, na sua avaliação, é que essas medidas sejam incorporadas por meio de diálogo com a iniciativa privada e com a sociedade civil.

Novo governo

Para o presidente da Cetesb, Fernando Rei, as principais ações de combate às mudanças climáticas devem ocorrer no setor de transportes. Rei avalia, no entanto, que uma mudança no perfil do uso dos transportes no Estado representa um "desafio institucional". Como São Paulo deu muita ênfase à qualidade das rodovias, há menos apelo para o desenvolvimento de hidrovias e ferrovias, meios de transporte menos poluidores.

Na opinião de Rei, a situação pode mudar com a gestão do governador eleito, Geraldo Alckmin. "O próximo governo tem a possibilidade de pautar esse esforço (pela diversificação dos transportes)", disse Rei. "Ouvi dizer que eles já incluíram a pauta do PV", acrescentou.

O presidente da Cetesb descartou a possibilidade de ocorrer uma "guerra verde" entre os Estados, assim como já ocorre na guerra fiscal, em razão de impostos e incentivos financeiros. Em vez de expulsar ou atrair empresas com normas ambientais, ele prevê que o poder público faça uma gestão ambiental conjunta com a iniciativa privada, para reduzir atividades poluentes ao longo dos anos.

Rei discordou da posição da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que criticou neste mês a Política Estadual de Mudanças Climáticas, que determina a redução de 20% das emissões de gases efeito estufa no Estado até 2020, com relação às emissões de 2005. "Ontem conversei com o Paulo Skaf (presidente da Fiesp e ex-candidato do PSB ao governo paulista) e disse que a Cetesb se compromete a procurar inovações tecnológicas e oportunidades de financiamentos para o setor produtivo se aperfeiçoar, porque a Cetesb não vai baixar as metas (de redução das emissões)," disse.

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