Tombamento do Jockey inviabiliza projeto imobiliário

Condephaat aprovou tombamento do Jockey Club por 11 votos a 4. Qualquer obra no Jockey, agora, terá de ser avaliada pelo conselho

iG São Paulo |

Futura Press
Jockey Club, agora tombado pelo Condephaat
A administração do Jockey Club de São Paulo informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre a decisão tomada na segunda-feira pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Turístico) que aprovou, por 11 votos a 4, o tombamento da área do Jockey, localizada na Cidade Jardim, em São Paulo.

A medida invibializa o projeto do Jockey de ceder 1/6 de sua área, com valor venal total de R$ 300 milhões, para o mercado imobiliário. O consórcio formado pela Gafisa e OAS pretendia construir duas torres comerciais e um shopping no local.

Para o Jockey, seria a solução para reduzir gastos e ainda pagar parte de sua dívida - avaliada em R$ 150 milhões apenas em Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). O plano incluía ainda a Chácara do Jockey, localizada na Vila Sônia, e o centro de treinamento em Campinas. Agora, com a decisão do Condephaat, qualquer obra terá de passar por avaliação dos conselheiros.

O entrave entre os sócios do Jockey teve início em novembro do ano passado, quando 12 sócios foram à Justiça contra o projeto de cessão de parte da área para o mercado imobiliário. Os sócios entendiam que faltava transparência no processo, já que a decisão não tinha passado pelo crivo de todos os sócios, em assembleia extraordinária, como determina o estatuto do clube.

Na ação ajuizada no Fórum Central João Mendes, o grupo apontou diversas irregularidades no processo licitatório. Em novembro, as partes foram convocadas para uma audiência de conciliação, mas não houve acordo. Em fevereiro deste ano, o juiz Rogério Marrone de Castro Sampaio, da 27.ª Vara Cível, declarou nula a licitação. Em seu despacho, o magistrado acolheu argumento dos advogados dos sócios de que qualquer permuta ou venda de imóveis do clube deve antes passar pelo crivo dos sócios.

"Mesmo que se reconheçam as dificuldades econômicas enfrentadas pela ré e a intenção dos seus administradores de tentar solucioná-las, o certo é que não se pode prescindir do respeito às exigências estatutárias", escreveu o juiz.

Em sua decisão, o Condephaat apresentou três argumentos para aprovar o tombamento do Jockey Club. São eles: o conceito de paisagem urbana e pelas práticas culturais realizadas no Jockey, por ser parte integrante da paisagem urbana da cidade de São Paulo e pela dimensão simbólica de seu conjunto arquitetônico, “em suas duas fases: o projeto do arquiteto Elisário Bahiana (1941) afinado com a monumentalidade exigida pela 'Capital Bandeirante' pós-Revolução e em tempos de Estado-Novo, e aquela de Henri Sajous, assumindo o requinte e sofisticação demandados no pós-guerra, expressão de uma mentalidade e de uma prática cultural relevante na história social paulista”.

Jockey

O Jockey Club ocupa uma área de 593,6 mil m², entre a marginal Pinheiros e a avenida Lineu de Paula Machado, região nobre da cidade de São paulo. Foi fundado em 14 de março de 1875 com o nome de Club de Corridas Paulistano. Somente mais tarde, em 25 de janeiro de 1941, foi inaugurado o atual hipódromo da Cidade Jardim.

Hoje, o Jockey Club de São Paulo abriga cerca de 1.500 animais puro-sangue inglês de corrida, mais os 500 cavalos que estão alojados nos centros de treinamento e que ajudam a formar os programas de corridas.

(*com informações da Agência Estado)

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