TJ decide se Carla Cepollina vai a júri por morte de Ubiratan

Advogada é suspeita de ter matado, em 2006, com tiro no abdômen o coronel da reserva da Polícia Militar Ubiratan Guimarães

iG São Paulo |

AE
Carla Cepollina em foto de 2006, cercada pela imprensa, ao chegar para prestar depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)
A 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo decide, na manhã desta quinta-feira, se a advogada Carla Prinzivalli Cepollina irá a júri popular pela morte do então namorado, o coronel da reserva da Polícia Militar (PM) Ubiratan Guimarães.

Ubiratan ficou nacionalmente conhecido após comandar a invasão do presídio do Carandiru, em 1992. A ação resultou na morte de 111 presos. Em 10 de setembro de 2006, Ubiratan, com 63 anos, foi encontrado morto com um tiro no abdômen no apartamento em que morava na região dos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Não havia sinais de luta no local.

Carla Cepollina foi investigada pela polícia porque teria sido a última pessoa a estar no apartamento de Ubiratan. Vizinhos relataram terem visto Carla saindo do prédio após o horário em que o namorado teria sido assassinado. Contra ela pesa também o fato de que teria entregado à polícia roupas diferentes das que aparece usando pelas câmeras de segurança do edifício.

A advogada negou todas as acusações, mas ainda assim foi indiciada pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Vaggione por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa da vítima. Segundo Vaggione, ela agiu por vingança depois de uma briga. A arma do crime nunca foi encontrada, mas, segundo a perícia, pertencia ao próprio coronel.

Em 2008, no entanto, o juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri da capital, julgou improcedente a denúncia do Ministério Público (MP) e arquivou o caso por considerar que não havia provas suficientes contra Carla. O MP recorreu da decisão e o caso será novamente julgado.

Carandiru

Pelo massacre no Carandiru, Ubiratan foi condenado, em 2001, a 632 anos de prisão pelas mortes de 102 presos e por outras cinco tentativas de homicídio. Contudo, ele pôde recorrer em liberdade. Em fevereiro de 2006, o Orgão Especial do Tribunal de Justiça de SP acatou o argumento da defesa do coronel de que ele agiu apenas “estrito cumprimento do dever” e o absolveu. Decisão esta que gerou diversos protestos de organizações nacionais e internacionais.


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