TJ adia decisão sobre prisão de acusados no caso Mércia

Tribunal de Justiça deve julgar na próxima quinta-feira se Mizael Bispo e Evandro da Silva irão responder ao processo em liberdade

iG São Paulo |

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Mércia (à direita) com a irmã Cláudia. Advogada desapareceu no dia 23 de maio e corpo foi encontrado dia 11 de junho, na represa de Nazaré Paulista, interior de SP
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) adiou, nesta quarta-feira, a decisão sobre a possível prisão do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza e o vigia Evandro Bezerra Silva, acusados de matar a advogada Mércia Nakashima, ex-namorada de Mizael.

A desembargadora Angélica de Almeida e mais dois desembargadores do TJ-SP irão julgar na próxima quarta-feira (6) se os réus responderão ao processo em liberdade. Os desembargadores pediram um prazo maior para apreciar o caso.

No dia 17 de setembro a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a reconstituição do crime . Ela feita baseada integralmente no depoimento de um pescador (cujo nome não foi divulgado) que disse ter visto o carro da advogada se aproximando da represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo, no dia 23 de maio, e depois afundando na água. Ele é possivelmente a única testemunha do assassinato.

Após o término da reconstituição, o promotor do MP de São Paulo Rodrigo Merli Antunes disse que "tudo se encaixa" e a versão da testemunha foi confirmada. "A avaliação foi positiva e já temos respostas para as perguntas. Ele viu tudo”, disse. Antes do início dos trabalhos, o irmão de Mércia, Márcio Nakashima, e um dos advogados de Mizael, Samir Haddad Junior, trocaram acusações e chegaram a se acredir fisicamente .

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG, antes mesmo de saber da morte da irmã, Cláudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. "Quando estava com ele Mércia era outra pessoa. Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, disse Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado alegou que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. Um fato que complicou a situação de Bispo é que o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

O laudo divulgado no último dia 20 de julho pelo Instituto Médico Legal (IML) diz que Mércia foi ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, ainda foi atingida no rosto por um outro objeto, que a perícia não conseguiu precisar qual foi. A causa da morte apontada no laudo é afogado. Para a polícia, ela teria sido jogada dentro do carro, ainda com viva, mas desacordada, na lagoa de Nazaré Paulista. Leia também a cronologia do caso.

O ex-namorado e o vigia chegaram a ter a prisão decretada, mas obtiveram habeas-corpus.

*Com informações da Agência Estado

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