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No primeiro dia do julgamento, apenas testemunhas da acusação foram ouvidas; todas quiseram reforçar que morte não foi acidental

Lindemberg sentado no bando dos réus
AE
Lindemberg sentado no bando dos réus
No primeiro dia de julgamento do caso Eloá, que terminou 20h desta segunda-feira, as quatro testemunhas, da acusação, falaram que Lindemberg Alves tinha intenção de matar a ex-namorada desde o princípio do sequestro.

O Último a depor foi o sargento Atos Antonio Valeriano, que negociou a liberação de reféns por 22 horas, entre as 19h de segunda (13/10/2008) até as 17h do dia seguinte. Segundo o sargento, Lindemberg anunciava que se mataria após matar os reféns. “Ele dizia: ‘vou matar os quatro e depois me matar, já decidi’.”

Valeriano contou que depois de algumas horas de negociação, Lindemberg decidiu liberar o estudante Vitor Lopes de Campos, mas logo em seguida disparou um tiro contra multidão. “Eu perguntei o porquê de ele ter disparado e ele respondeu: ‘eu liberei um, mas atirei para provar que não sou bonzinho’.”

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Depois de mais algumas horas, segundo o sargento, Lindemberg pediu para ver com quem estava negociando. “Eu saí de trás de uma parede e vi que ele pegou a arma, então recuei. Da segunda vez que eu coloquei a cabeça para o lado, ele atirou então eu disse: você está atirando em mim? E ele respondeu: ‘você não está de colete?’. Eu disse que sim, mas que o tiro poderia pegar no meu rosto e ele falou ‘se pega no seu rosto aí já era’”. Nesse momento do depoimento, Lindemberg balançou a cabeça negativamente.

Mais cedo, os amigos de Eloá que também foram mantidos reféns afirmaram que a intenção de Lindemberg era desde o início matar Eloá. “Lindemberg falou para Eloá: ‘Você me deixou. Vai me obrigar a acabar fazendo alguma besteira’. E ela disse: ‘Então eu volto com você. E ele respondeu: ‘Assim eu não te quero de volta, você não vai ser de mais ninguém’”, contou Vitor Lopes de Campos.

Segundo Iago Vilera do Oliveria, no dia do sequestro, o motoboy dizia que mataria Eloá e só não sabia se mataria todo mundo também e se cometeria suicídio depois. No entanto, tinha certeza que Eloá não sairia viva do apartamento.

A amiga Nayara Rodrigues também afirmou que a ideia de Lindemberg era matar Eloá desde o princípio e que a morte não foi acidental. Assim que ele [Lindemberg] entrou, com arma em punho, ele disse (para os três): 'Não era para vocês estarem aqui'. Se ele chegasse e encontrasse ela sozinha, ela já estaria morta. Como ele mesmo falava: 'Era matar e sair andando.”

A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, contestou o depoimento de Nayara dizendo que ela mentiu. Segundo ela, a garota “exagerou”, aumentou os fatos e fingiu estar emocionada. Assad também afirmou ter questionado a garota sobre um processo judicial que ela teria aberto contra o Estado pelo tiro que levou na época do sequestro. Nayara negou a existência do processo.


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