Taxa de psicose em SP é baixa para metrópole

Estudo mostra que incidência paulistana é de 15 novos casos por 100 mil, dez pontos abaixo do esperado para cidades grandes

Agência USP |

Os paulistanos são menos psicóticos do que moradores de outras cidades grandes do mundo, como Londres.

Levantamento inédito feito por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostra que a incidência de esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão psíquica em São Paulo é de 15,9 novos casos por 100 mil habitantes a cada ano.

Em centros urbanos do mundo, a taxa média de psicoses é de 25 novos casos a cada 100 mil habitantes por ano.

“A incidência em São Paulo é menor do que a esperada para uma grande metrópole”, explica Paulo Rossi Menezes, professor da FMUSP que, junto com seus colegas Geraldo Busatto e Márcia Scazufca, coordenou a pesquisa. Também participaram acadêmicos do King´s College, de Londres, Inglaterra.

Um levantamento feito em Londres, onde vivem cerca de 8 milhões de pessoas, mostrou uma incidência anual de 50 novos casos por 100 mil habitantes. A capital paulista tem cerca de 11 milhões de habitantes.

Psicoses são transtornos psiquiátricos cujos sintomas são delírios, alucinações e perda da capacidade de pensar com clareza.

A pesquisa também revela que os psicóticos tem um pouco menos de massa cinzenta em algumas regiões do cérebro e que os paulistanos buscam ajuda rapidamente — cerca de 50% procuram serviços de saúde em até quatro semanas após aparecerem os sintomas.

A pesquisa

Para calcular a incidência dos transtornos, a equipe de pesquisadores consultou todas as fichas de atendimento dos serviços de saúde que atendiam problemas psiquiátricos no centro e zonas norte e oeste de São Paulo, entre julho de 2002 e dezembro de 2004. No período, encontraram 307 primeiros casos de psicose. Os pesquisadores fizeram, então, entrevistas padronizadas, conversaram com os familiares e analisaram os registros de atendimento de 200 doentes.

Segundo pesquisadores, faltam dados para explicar por que a incidência em São Paulo é menor que em países mais ricos. Ele especula que a diferença pode ter relação com características da sociedade brasileira que talvez diminuam o risco de psicoses: por aqui, os jovens moram mais tempo com a família, usam menos maconha e nascem de pais mais novos do que na América do Norte e Europa.

Adultos jovens

O levantamento também mostrou que em São Paulo, como em outras cidades do mundo, as psicoses acometem principalmente adultos jovens: cerca de 60% das pessoas que desenvolviam psicoses tinham até 35 anos. Os homens adquiriam a doença, em média com 30 anos, mais cedo que as mulheres, cuja média de idade ao ter o primeiro caso era de 35 anos.

A maior parte dos novos casos foi de esquizofrenia ou transtorno esquizofreniforme (63,2%). Também foram frequentes transtorno bipolar (23.2% dos novos casos) e depressão psicótica (13,6%).


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