Suspeita por morte de menina em hospital de SP é identificada

Ao menos 25 pessoas que formavam o plantão no dia do incidente serão ouvidas

AE |

selo

nullAo menos 25 pessoas que formavam a equipe de plantão no dia em que a menina Stephanie morreu, vítima de um erro médico, quando foi aplicado vaselina ao invés de soro, de acordo com informações do delegado José Bernardo de Carvalho Pinto, do 73º Distrito Policial, do Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo.

A polícia afirmou já ter identificado a auxiliar de enfermagem suspeita de causar a morte de Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, no Hospital São Luiz Gonzaga, após ter feito a aplicação. A mãe da menina Roseane teixeira reconheceu a auxiliar que teria cometido o erro.

A morte de Stephanie mobilizou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), que abriram sindicância para apurar o episódio. A Santa Casa de São Paulo, responsável pela gestão do hospital - referência de atendimento na zona norte -, também investiga o caso.

Desde a morte de Stephanie, ocorrida no sábado, a polícia ouviu cinco funcionários, entre eles uma médica, uma enfermeira e um segurança. Os três, de acordo com a polícia, se recusaram a fornecer informações sobre o paradeiro da auxiliar e vão responder pelo crime de favorecimento pessoal.

Segundo o boletim de ocorrência, policiais foram ao hospital para investigar o caso, mas "todos os funcionários abordados, claramente com objetivos escusos, não fizeram questão alguma de colaborar no sentido de fornecer documentação e nome dos funcionários envolvidos".

Na manhã de segunda-feira, a mãe de Stephanie, Roseane Mércia Teixeira, foi ouvida por duas horas e disse aos policiais que viu o vidro de soro fisiológico vazio ser substituído por outra substância. Outras pessoas devem ser ouvidas nesta terça-feira. Ao todo, a polícia deve interrogar pelo menos 14 funcionários até a próxima semana, incluindo outros médicos e o diretor do hospital.

O caso

A criança foi internada por volta das 15h de sexta-feira no Hospital São Luiz Gonzaga, administrado pela Santa Casa de Misericórdia, apresentando vômitos, dores abdominais e diarréia. Stephanie recebeu duas bolsas de soro fisiológico para hidratação e começou a passar mal durante a terceira aplicação.

Segundo as investigações, a menina recebeu 50 ml de vaselina na veia e a reação foi instantânea. A menina foi transferida às pressas à Santa Casa de Misericórdia, na regial central da cidade, por volta das 21h30. Ela teve sete paradas cardíacas, médicos tentaram animá-la em vão e à 0h20 foi confirmada a morte. O corpo dela foi enterrado na manhã de domingo no Cemitério Parque da Cantareira, na zona norte da cidade.

O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar) e o delegado titular do 73ºDP, Pietrantonio de Araújo, solicitou laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre as causas da morte, que deve ficar pronto em até 30 dias.

Santa Casa

Em nota, a Santa Casa disse estar "consternada" com a morte da criança e afirmou ter afastado os profissionais envolvidos no atendimento da paciente até a conclusão das apurações.

O presidente do Coren, Cláudio Porto, disse que o episódio está relacionado com a má formação dos profissionais de enfermagem. Segundo ele, os erros são cada vez mais frequentes nas unidade de saúde de São Paulo. "Além dos 400 processos abertos desde 2008, temos outros 980 casos de erro de conduta sob investigação."

*Com informações do iG São Paulo

    Leia tudo sobre: erro médicovaselinamorte de criançasanta casa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG