STJ mantém prisão de Mizael Bispo, que continua foragido

Mizael Bispo de Souza e Evandro Bezerra Silva são acusados pela morte da advogada Mércia Nakashima, em Guarulhos (SP)

iG São Paulo |

Reprodução
Mizael e Evandro aparecem no site da Polícia Civil de São Paulo como foragidos
O ministro Ari Pargendler, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou um pedido de habeas corpus feito pela defesa do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza, acusado pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima, de 28 anos, em maio de 2010. Desta forma, está mantida a prisão de Mizael, que segue foragido.

O advogado de Mizael, Samir Haddad, alegou, neste novo pedido de soltura, que "a decisão que indeferiu a medida liminar não foi devidamente fundamentada" e que "está clara a ocorrência da ilegalidade". Já o ministro argumentou que a decisão leva em conta "notícia de eventos envolvendo familiares da vítima e ameaças formuladas a testemunhas por terceira pessoa".

“Há fatos novos, situações que devem receber análise detida, verificada que deve ser a necessidade, ou não, de se acautelar o interesse processual, ou seja, risco de perturbação ou comprometimento da prova, ou dificuldade na aplicação da lei penal", afirmou Pargendler.

Na última sexta-feira (7),  Mizael e Evandro Bezerra Silva, tido pela acusação como seu comparsa no crime, completaram um mês foragidos . A prisão preventiva dos dois foi decretada pela Justiça de Guarulhos no dia 7 de dezembro, quando também foi decidido que eles deveriam ir à júri popular pela morte da advogada. Mizael foi denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver. Evandro responde pelos mesmos crimes, apenas sem a qualificadora de motivo torpe.

Samir Haddad, advogado de Mizael, conversou com o iG e afirmou ter contato constante com o cliente por telefone. "Às vezes ele me liga só para bater papo". Mas negou saber onde ele está escondido. "Não sei, nem quero saber, falo por telefone, mas o vejo", diz.

Haddad afirmou também que é pequena a possiblidade de que Mizael se entregar espontaneamente. "Ele se diz inocente, não tem coragem de ir preso. E se ele morre na cadeia?", diz, acrescentando que o acusado já está vivendo confinado. "Ele está preso, não pode sair da onde está. Não está na cadeira, mas está sofrendo quase todas as agruras de uma pessoa presa. É a pena antes de condenação", critica.

Arquivo pessoal
Mércia Nakashima (de azul) morreu afogada após ser baleada
O caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família. No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

Laudo divulgado em 20 de julho diz que Mércia foi morreu afogada após ter sido ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, a vítima ainda foi atingida no rosto por um outro objeto contundente que a perícia não soube precisar qual foi.

Mizael e Mércia eram sócios em um escritório de advocacia e namoraram por cerca de quatro anos. Após o término, Mizael teria ficado inconformado e, segundo a família da vítima, insistia para que reatassem e passou a perseguí-la.

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