Sombra vai a júri popular por morte de Celso Daniel

Cabe recurso à decisão da Justiça de São Paulo. Empresário é acusado de ser o mandante do crime

iG São Paulo |

AE/ARQUIVO
Empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, em foto de 2003
A Justiça de São Paulo decidiu levar a júri popular o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, pela morte do então prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002. A sentença foi decretada na segunda-feira pelo juiz Antonio Hristov, da 1.ª Vara da Comarca de Itapecerica da Serra, Grande São Paulo.

Sombra foi denunciado por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e intenção de ocultar corrupção e fraudes em licitações. Segundo denúncia do Ministério Público, a motivação do crime seria para ocultar fraudes em licitações na gestão de Daniel em Santo André. Sombra, que era assessor especial de Daniel, se diz inocente.

O juiz dedica 12 páginas de sua decisão aos indícios e provas de materialidade contra o réu. Cita o testemunho do médico João Francisco Daniel, irmão de Celso Daniel, que disse ter sido informado que dinheiro de corrupção ia para o PT. Bruno, também irmão do prefeito, exilou-se com a família em Paris, com medo de ser eliminado.

O julgamento não tem data marcada para ser realizado. Cabe recurso à decisão. 

Histórico

O então prefeito Celso Daniel foi sequestrado e morto em janeiro de 2002. Ele era do PT e foi sequestrado no dia 18 de janeiro daquele ano, quando voltava de um jantar, na zona sul de São Paulo. O corpo, crivado de balas, foi encontrado dois dias depois em uma estrada de terra batida em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.

No dia do sequestro, Sombra dirigia o carro que foi fechado pelos sequestradores. O empresário nada sofreu - apenas o Daniel foi levado.

O Ministério Público (MP) sustenta que houve motivação política na execução de Celso Daniel e denunciou oito suspeitos, apontando Sombra como o mandante. Para a promotoria, o ex-prefeito foi morto porque teria tentado dar fim a suposto esquema de corrupção na prefeitura. A polícia, no entanto, concluiu que ele foi vítima de sequestradores comuns.

O empresário chegou a ser preso, em 2003, mas o Supremo Tribunal Federal concedeu habeas corpus a Sombra em julho de 2004.

(*com informações da Agência Estado)

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