Solução não é colocar pessoas dentro de albergue

Parlamentar destaca que muitos moradores poderiam voltar para casas se política pública focasse na questão da saúde

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Chico Macena (PT) afirma que duas coisas saltam aos olhos quando se analisa a situação dos moradores de rua descrita em recente pesquisa divulgada pela Fipe sob encomenda da prefeitura.

A primeira, o número de pessoas nessa situação, que aumentou de cerca de 8 mil para 13.666. Ele credita ao aumento do consumo de drogas uma possível explicação para o aumento do número de pessoas nessa situação nos últimos anos.

A segunda análise, diz, está relacionada ao que chama de contradição na oferta de vagas nos albergues. "Se você olha a tabela, vê que 51,8% dos moradores estão acolhidos. Mesmo assim quase 50% não são. Ainda tem fila nos albergues, muitos perambulam pela cidade e não conseguem vagas".

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Pelo levantamento, o vereador diz ter observado que na Sé, um dos locais de maior concentração de moradores de rua, há poucas vagas em albergues, enquanto sobram lugares em bairros distantes. "É uma discrepância". Veja o relatório completo

"A solução não é só colocar pessoas dentro de albergue. Tem que ter uma ação transversal, com políticas de saúde. Quando cruzamos os dados, vemos que a maioria tem contato ainda com a família. Isso reforça o argumento de que as pessoas estão nas ruas por problemas familiares. O poder público precisa dizer a essas famlias que elas devem aceitar os moradores de rua de volta. Eles devem ser aceitos como doentes, porque muitos são viciados em álcool e drogas e isso é uma doença.  O primeiro passo para diminuir a situação de rua, e não aumentar a população albergada".

Um dos méritos da pesquisa, segundo o vereador, foi que ela indicou que a maioria das pessoas que moram nas ruas são nascidas na própria cidade. "Isso acaba com o estigma de que são pessoas do Nordeste que vieram para sujar as ruas. Não, são pessoas de São Paulo, e São Paulo precisa lidar com isso".

Macena diz ainda que chama a atenção o fato de que boa parte dos moradores de rua, segundo a pesquisa, ser alfabetizada. Por isso, diz defender que essas pessoas passem por um processo de reinserção no mercado de trabalho. Pede, por fim, que haja subsídios para que trabalhadores que atuem na informalidade, como catadores de lata, consigam voltar para casa e não precisem ficar na rua por falta de recursos.

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