'Só peguei os documentos e nossos filhos', diz morador de favela incendiada

Moradores relatam desespero para sair de prédio que pegava fogo; uma pessoa morreu, três ficaram feridas e mil estão desabrigados

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Diogo Moreira/Futura Press
Moradores acompanham trabalho de bombeiros em favela após incêndio
Moradores da favela Moinho, onde ocorreu o incêndio nesta quinta-feira , descrevem como “desesperadora” a saída do prédio que pegava fogo. Agora, o prédio corre o risco de desabar. Ao menos uma pessoa morreu, três ficaram feridas e mil estão desabrigadas.

Cerca de 300 famílias tiveram suas casas incendiadas. Segundo a Prefeitura de São Paulo, algumas delas decidiram se mudar para as casas de parentes e amigos e outras foram alojadas no Clube Raul Tabajara, da Secretaria de Esportes.

O marreteiro Claudomiro Santos da Silva, 35 anos, que mora no segundo andar do prédio com a mulher e dois filhos, de quatro e dois anos, disse que o fogo se espalhou muito rápido.

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“Não durou nem cinco minutos. A gente teve que correr para as escadas só deu tempo de pegar meus documentos e nossos filhos”, disse. A família Silva pretendia passar o Natal em Alagoas, com o restante dos familiares, mas agora não sabe o que fazer.

A missionária Antonia Pilloni, 46, que estava no prédio para visitar uma pessoa doente disse que as pessoas ficaram muito desesperadas com o fogo. “Sentimos um cheiro de fumaça e eu pensei que era uma coisa simples. Daí, a fumaça aumentou e decidi que a gente tinha que sair do prédio”, contou.

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Pilloni ajudou a moradora doente a caminhar até a escada da frente, mas já estava tomada pelo fogo e não seria possível descer. Ela foi por uma outra escada e conseguiu descer. “O povo começou a descer desesperado. Todo mundo corria chorando”, disse.

Arte iG
Veja a localização da favela Moinho onde ocorreu incêndio
Do lado de fora do prédio, moradores relataram à missionária que uma mulher pulou da janela ao ver o fogo. Segundo Pilloni, a moradora quebrou o braço mas contou que deixou o filho no barraco e teme que ele tenha morrido.

“Com certeza morreram mais pessoas. A gente viu portas trancadas pelo lado de dentro, ou seja, tinha gente lá dentro. Nós mesmos quase não saímos de lá por causa da fumaça. Deve ter morrido mais gente”, disse a missionária.

A dona de casa Alessandra Maria da Silva, 18, grávida de seis meses, disse que conseguiu tirar uma televisão, um fogão e uma bicicleta da casa, mas perdeu todo o enxoval do filho. “Vou ter que arrumar as coisas dele tudo de novo”, disse.

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