'Só gritava o nome dela', diz marido de advogada morta em bufê infantil de SP

A advogada Vanessa Néspoli morreu depois que minimontanha russa em que estava com o marido se soltou. Heber prestou depoimento à polícia nesta terça-feira

Carolina Garcia, iG São Paulo |

O marido da advogada Vanessa Néspoli, de 30 anos, que morreu após cair de uma pequena montanha-russa no bufê Aquarela Kids , na zona leste de São Paulo, prestou depoimento à polícia nesta terça-feira por volta das 11 horas. Em mais de uma hora de depoimento, Heber Carneiro Moraes, de 31 anos, disse ter relatado o que lembrava aos policiais.

Ao sair, ele preferiu não dar detalhes da vida do casal. Porém, ainda usando aliança e visivelmente abatido, Heber disse ao iG que está “arrasado e ferido”. “Só lembro que estava tudo escuro e eu senti que bati a cabeça. Neste momento, só gritava o nome dela. Ela não me respondeu. Gritei para todos acenderem as luzes. Foi quando a vi.” Esta semana ele vai decidir "os rumos de sua vida" - já que Heber ainda não voltou ao trabalho e diz que o motivo de estar em São Paulo era Vanessa.

Heber esteve no 30º Departamento de Polícia de São Paulo acompanhado da mãe, Rosângela Moraes, de 50 anos. Ao iG , ela afirmou que o filho está arrasado e extremamente ferido pelo que aconteceu. Segundo ela, Vanessa e Heber eram conhecidos por ser o “casal perfeito”. Casados havia 4 anos, os dois viviam em constante lua de mel. “Eles planejavam ir à Europa neste semestre, seria a lua de mel deles já que nunca tiveram tempo de viajar.”

Henry Lopes/Futura Press
Fachada do Bufê Aquarela Kids

Para ela, que nunca presenciou uma briga entre o casal, os dois viviam felizes em um ambiente harmonioso. Há dois anos e meio, Heber e Vanessa enfrentaram o desafio de se mudar para São Paulo, deixando a cidade de Cuiabá, em Mato Grosso, onde viviam.

A advogada havia recebido uma proposta de trabalho e, sem hesitar, Heber a acompanhou na nova vida que desejavam ter na capital paulista. “Eles já tinham passado por muita coisa e só ficaram mais unidos com a vinda a São Paulo. Isso é muito triste porque eles já estavam estabilizados aqui e planejavam até dar um neto para mim”, conta Rosângela já emocionada.

Convivendo com a nora e a considerando como filha, Rosângela pensava que Vanessa seria uma excelente mãe. “Ela era sensível, dócil e meiga. Uma pessoa extremamente linda por dentro e maravilhosa por fora.”

Depois do acidente

A mãe de Heber conta que, para proteger o filho, o tem proibido de assistir a telejornais e ler reportagens sobre o acidente no bufê. Ela questiona ainda a hipótese dele ter caído sobre Vanessa após a queda do carrinho do brinquedo.

“Não sei de onde tiraram isso. Ele nem se lembra de como aconteceu.” Segundo relato do filho a ela, o brinquedo possuía ambientes escuros e ele só lembra de ter batido a cabeça e gritar muito de dor. Para ela, a parte importante da história é alcançar a justiça. “No domingo, aquele lugar matou minha nora, amanhã, pode tirar a vida de crianças. Isso precisa ser investigado.”

Bufê irregular

O Bufê Aquarela Kids não possui licença para funcionar, de acordo com a Coordenadoria das Subprefeituras de São Paulo, e a unidade localizada na rua Emílio Mallet havia sido interditada definitivamente no último dia 6. O estabelecimento já tinha sido intimado no dia 21 de maio para regularizar a situação em cinco dias. Vencido o prazo, foi multado em R$ 2.560,20 e novamente intimado, dessa vez para regularizar o bufê ou encerrar as atividades.

O proprietário do local não cumpriu a determinação e o processo para interdição definitiva do local foi aberto.“Constatado o funcionamento do bufê no último final de semana, fica caracterizado o crime de desobediência, que será informado à Polícia Civil”, ressalta a nota da Coordenadoria das Subprefeituras sobre o acidente com a montanha-russa.

As outras unidades do Aquarela Kids também apresentaram problemas. A unidade da Rua Nova Jerusalém foi vistoriada pela Subprefeitura e interditada na última quarta-feira (20). A unidade da Rua Serra de Botucatu também foi vistoriada e foi intimada a apresentar, até a semana que vem, a documentação para regularizar o local ou encerrar as atividades. A unidade da Rua Caçaquera não pode ser vistoriada porque existe um processo de anistia em análise.

Sobre os brinquedos existentes em festas infantis, a Coordenadoria das Subprefeituras explica que “a legislação municipal não prevê nenhuma permissão ou proibição da utilização de equipamentos móveis. Também não existe fiscalização para essa prática. O dono do estabelecimento deve ter um laudo expedido por engenheiro técnico comprovante o funcionamento e manutenção dos equipamentos, caso contrário pode responder por crime”, afirma a nota. 

*com Fernanda Simas, iG São Paulo

    Leia tudo sobre: bufê aquarela kidsdepoimentoacidentemorte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG