Sindicato diz que acatará liminar e suspenderá greve dos transportadores

Justiça determinou retomada da distribuição de combustíveis para São Paulo. Postos de gasolina ainda sofrem com o desabastecimento

iG São Paulo |

Após três dias de paralisação no abastecimento de combustíveis, o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens do Estado (Sindicam) afirmou nesta madrugada que acataria a decisão da Justiça, que determinou a retomada da distribuição de combustível em São Paulo. Durante a madrugada, o sindicato afirmou que havia enviado uma cópia da liminar para todas as bases dos caminhoneiros grevistas pedindo que eles retornassem ao trabalho já nas primeiras horas desta quarta-feira. A multa diária pelo descumprimento da decisão é de R$ 1 milhão.

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Renato Luiz Ferreira/AE
Posto na zona norte exibe aviso sobre a falta de combustíveis nas bombas, na noite de terça (6)

"Tenho conhecimento da liminar mas ainda não fui notificado", explica o presidente do Sindicam, Norival de Almeida Silva. "Mesmo assim, já acatamos a decisão e estou cumprindo o que determina a liminar. Não estamos fechando ruas e nem fazendo protestos", completa.

Ele ainda afirmou que não sabe se os caminhoneiros responsáveis pela distribuição de combustíveis em São Paulo voltarão ao trabalho. "A decisão de manter a paralisação será deles, o Sindicam não tem nada com isso, já estamos cumprindo o que determina a justiça. Eu não quero ser punido", diz.

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Segundo Norival, o sindicato aguarda a entrega da notificação para marcar uma assembleia com os caminhoneiros, que vão decidir se voltam ou não ao trabalho. Em conversa com os trabalhadores na noite de ontem, segundo Norival, "parte deles concordou em voltar ao trabalho hoje, mas a maioria não concorda com a Justiça. Eles dizem que os caminhões são deles e que não retornarão ao trabalho".

Falta de combustível

Mesmo após a afirmação que a greve seria encerrada, muitos postos de gasolina permanecem com suas bombas de abastecimento vazias. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), que representa os postos da capital, afirmou que dos 128 postos procurados pela entidade pelo menos 22 (17,2%) estão fechados sem os três combustíveis - gasolina, etanol e diesel.

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Ainda de acordo com o balanço, a gasolina é o combustível mais em falta no momento. Há pelo menos 55 (42,9%) postos sem o produto e outros 60 (46,8%) com o nível baixo. No caso do etanol, há 31 (24,2%) estabelecimentos que não possuem o combustível e outros 80 (62,5%) temem que o estoque se acabe até o início da tarde. A oferta do diesel também é afetada na capital em pelo menos 108 (84,4%) dos postos, 35 (27,3%) já estão sem e 73 (57%) tem estoque bem reduzido. Segundo o Sincopetro, a capital paulista tem cerca de 2 mil postos e o número de estabelecimentos afetados pode ser bem maior.

AE
Caminhão tanque é carregado no terminal de distribuição da Petrobrás, nesta quarta-feira
A paralisação do abastecimento para São Paulo, gerou uma corrida aos postos de gasolina da capital. Os motoristas tentam encher o tanque, mas encontram postos fechados com correntes e outros com preços abusivos . O iG percorreu postos da região central, sul e oeste e localizou estabelecimentos que, em menos de 24h, reajustaram o preço dos combustíveis. 

Distruidoras

Já no final da noite de terça-feira (6), o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) informou, por meio de nota, que suas associadas estavam se empenhando, utilizando inclusive escolta policial, para retomar, algumas operações de entrega de combustíveis a partir de suas bases de distribuição na Grande São Paulo.

Segundo o sindicato, ainda durante a tarde foram realizadas entregas para alguns serviços essenciais (coleta de lixo, hospitais etc.), com destaque para o aeroporto de Congonhas, cujos estoques  encontram-se assegurados para o atendimento das companhias aéreas.

Decisão judicial

A liminar foi pedida pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Procuradoria Geral do Município. No fim da tarde desta terça, o prefeito Gilberto Kassab (PSD), afirmou em entrevista à TV Globo que “não negocia com chantagistas” ao falar sobre a greve.

A decidão foi concedida pelo juiz Emilio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo, estabelecendo que os sindicatos acusados de promover ações com o objetivo de impedir a distribuição de combustível em postos da capital paulista retomem a normalidade dos serviços .

O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), que afirmava não ter participação na greve, foi citado na decisão com uma das entidades que organizaram a paralisação. Para eles, foi um equívoco da assessoria jurídica da administração pública. "A entidade não faz greve e não integra movimentos que possam afetar o andamento da economia ou os Direitos Constitucionais dos cidadãos paulistas e paulistanos".

Entenda: Veja as regras da nova regulamentação para o trânsito de caminhões

(Clique nas vias para entender as restrições)

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