Servidores do Judiciário acampam em fórum pela 2ª noite

Grevistas dizem que não tem data para deixar o local. Categoria está em greve desde o dia 28 de abril

iG São Paulo |

AE
Servidores do Judiciário acampados no Fórum João Mendes em São Paulo
Pela segunda noite, servidores do Judiciário em greve passaram a madrugada acampados dentro do Fórum João Mendes, localizado no centro de São Paulo. Segundo a categoria, 76 grevistas ocupam o prédio e aproximadamente 500 estão do lado de fora. A categoria está em greve desde 28 de abril e pede reposição salarial de 20,16%.

As negociações entre servidores e o Tribunal de Justiça estão emperradas. Na quarta-feira, após o Órgão Especial do TJ decidir descontar alguns dias do salário dos funcionários parados, os servidores resolveram passar a noite acampados dentro do fórum.

Nesta sexta-feira, servidores de fóruns localizados na Grande São Paulo e de outras regiões da cidade realizaram um protesto em apoio aos grevistas que estão no fórum. Muitos foram para a Praça João Mendes. Por conta do protesto, o fórum está fechado por medida de segurança. Os casos urgentes serão enviados para juízes regionais do Estado.

 O senador Eduardo Suplicy também esteve na Praça João Mendes. Suplicy tentou entrar no local onde os grevistas estão, mas foi impedido pelos seguranças. O senador, que pretende ajudar nas negociações, então, dirigiu-se ao Palácio da Justiça para conversar com o desembargador.

"Eleitoreira"

Na quinta-feira, o secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo e ex-secretário da Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, disse que a greve dos servidores do Judiciário paulista tem motivação eleitoral. Segundo ele, a lei eleitoral impede que se conceda reajuste salarial como o reivindicado pela categoria.

"Essa proposta não pode ser para valer. Só isso já mostra que há motivações de outra natureza, que não se trata de um movimento de natureza sindical", afirmou, após participar da abertura do 49ª Encontro do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais, em São Paulo. A categoria está parada desde 28 de abril.

Marrey disse que algumas paralisações realizadas neste ano, como a dos funcionários da Universidade de São Paulo (USP), têm tido foco político. "São greves de período pré-eleitoral. Esta (do Judiciário) parece ter essa motivação". Segundo ele, a greve atinge a minoria dos servidores. "O Judiciário está funcionando no Estado inteiro".

Também presente ao evento dos TRE''s, o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, Antonio Carlos Viana Santos, não quis comentar a ocupação do prédio do Fórum João Mendes, na capital paulista, desde à noite de quarta-feira, por servidores grevistas. Questionado sobre a ocupação, Viana se irritou e disse que não falaria sobre o assunto. "Eles (os servidores) não querem nada. Fale sobre isso com o secretário Marrey. Ele que é o homem político", disse. Marrey saiu pela tangente. "O prédio é do TJ. Cabe a ele lidar com a situação".

Negociação

Uma reunião realizada na tarde desta quinta-feira com o presidente do TJ terminou sem acordo. Segundo informações da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a ocupação vai continuar. Eles afirmam que, por determinação do TJ, policiais e seguranças terceirizados impedem o fornecimento de comida, água e cobertores aos grevistas que ficaram dentro do fórum.

Por meio da assessoria de imprensa, o TJ informou que não será autorizada a entrada de comida e água. Destaca que a ocupação ao prédio impede a realização dos trabalhos no fórum, que tem cerca de 2,5 milhões de ações para serem julgadas.

AE
Servidores durante protesto na manhã desta sexta-feira na Praça João Mendes, no centro de São Paulo

(*com informações da Agência Estado)

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