Servidores desocupam Fórum João Mendes

Grevistas, porém, ficaram acampados em frente ao fórum. Categoria reivindica reposição salarial de 20,16%

iG São Paulo |

Os 76 servidores que estavam acampados desde a noite de quarta-feira no saguão do Fórum João Mendes, localizado na região central de São Paulo, deixaram o local no começo da tarde desta sexta-feira. Os grevistas, porém, continuarão em vigília em frente ao fórum, o maior do País.

De acordo com a categoria, caso não haja contraproposta, os servidores ficarão acampados em frente ao fórum até pelo menos a próxima quarta-feira, quando será realizada nova assembleia. Cerca de 400 pessoas, em barracas e acompanhadas de um carro de som, permanecem no local. Os grevistas reivindicam uma reposição salarial de 20,16%.

De acordo com o Tribunal de Justiça, o expediente desta sexta-feira no fórum, que tem cerca de 2,5 milhões de ações para serem julgadas, continua suspenso, retornando apenas na próxima segunda-feira.

AE
Servidores montam barracas em frente ao Fórum João Mendes

"Eleitoreira"

Na quinta-feira, o secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo e ex-secretário da Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey, disse que a greve dos servidores do Judiciário paulista tem motivação eleitoral. Segundo ele, a lei eleitoral impede que se conceda reajuste salarial como o reivindicado pela categoria.

"Essa proposta não pode ser para valer. Só isso já mostra que há motivações de outra natureza, que não se trata de um movimento de natureza sindical", afirmou, após participar da abertura do 49ª Encontro do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais, em São Paulo. A categoria está parada desde 28 de abril.

Marrey disse que algumas paralisações realizadas neste ano, como a dos funcionários da Universidade de São Paulo (USP), têm tido foco político. "São greves de período pré-eleitoral. Esta (do Judiciário) parece ter essa motivação". Segundo ele, a greve atinge a minoria dos servidores. "O Judiciário está funcionando no Estado inteiro".

Sem comida

Segundo informações da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, os servidores deixaram o saguão do fórum, pois policiais e seguranças terceirizados, por determinação do TJ, impediam o fornecimento de comida, água e cobertores aos grevistas.

Nesta sexta-feira, o senador Eduardo Suplicy esteve na Praça João Mendes. Ele tentou entrar no local onde os grevistas estão, mas também foi impedido pelos seguranças. O senador, que pretende ajudar nas negociações, então, dirigiu-se ao Palácio da Justiça para conversar com o desembargador. Uma reunião realizada na tarde de quinta-feira com o presidente do TJ terminou sem acordo.

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