Série de erros levou à prisão de inocente, diz mãe

Funcionário público inocente foi detido como suspeito de envolvimento no ataque aos dois estudantes da FGV

Márcio Apolinário, iG São Paulo |

Agora é hora de virar a página e recomeçar. Este é o pensamento da família do funcionário público Dino Fernando Peporine, de 28 anos, que passou duas noites preso, suspeito de envolvimento no ataque aos dois estudantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV), na semana passada. Ele é inocente.

Em conversa com o iG , a mãe de Dino, Maria Lucia Peporine, disse que o erro da polícia na prisão de seu filho causou danos irreparáveis à sua família. “Foram dias terríveis. Apenas no terceiro dia, após sua soltura, voltei a comer e só no dia seguinte da liberdade dele que eu preguei os olhos.”

nullMaria Lucia contou que seu filho passou por momentos de tensão, medo e esperança. “O nosso maior medo era que não achassem os verdadeiros culpados. Ainda bem que acharam. Foi uma série de coincidências que levaram até meu filho, além, é claro, da denúncia anônima. Mas nós tínhamos certeza absoluta da inocência dele.”

Para ela, houve falhas da polícia que poderiam ter evitado e diminuído o tempo de seu filho na detenção. “Eles não quiseram ir atrás das pessoas que estavam em casa no dia e hora em que o crime aconteceu. Isso confirmaria que meu filho estava em casa naquele momento. A polícia também não foi no hospital onde o Dino fez uma pequena cirurgia no pé, após se machucar jogando futebol. Isso confirmaria que ele estava machucado antes mesmo do crime. Sem contar que não era um ferimento na perna, e sim no pé.”

A ação policia no momento da prisão de Dino foi encarada, pela família da vítima, como de total exagero. “Ele (Dino Fernando) estava jogando videogame no quarto, não tinha como resistir à prisão, nem nada. Mas eles chegaram como uma avalanche, sem querer saber quem estava lá, se tinha idoso, nem nada. Entraram colocando a arma na cabeça do meu filho e gritando ‘perdeu’. Nem sabíamos do que se tratava e eles já saíram vasculhando a casa toda atrás de uma arma que não existia. Não satisfeitos, levaram um monte de coisas do Dino.”

Inocente, Dino Fernando Peporine, que está de férias no trabalho, foi recebido com fogos de artifício pelos vizinhos, amigos e parentes, na região de São João Clímaco, zona sul da capital. Agora, o rapaz quer saber quem o denunciou e fez com que ele passasse pela humilhação de ser algemado e colocado na viatura policial como assassino. 

Crime

A Polícia Civil divulgou na segunda-feira a identidade dos dois principais suspeitos pelos disparos contra os dois alunos da Fundação Getúlio Vargas , na última quarta-feira. Christopher Akio Cha Tominaga, de 23 anos, segue internado em estado grave, e Júlio César Grimm Bakri, de 22 anos, morreu antes de chagar ao hospital.

Segundo o delegado seccional do centro de São Paulo, Kleber Altale, Francisco Macedo da Silva, de 24 anos, e seu irmão, Walmir Venturi da Silva, de 19 anos, teriam disparado contra os dois jovens por eles terem abordado a namorada de Walmir. 

AE
Reprodução de foto dos irmãos Valmir Venturi da Silva (dir.) e Francisco Macedo da Silva (esq)

“Francisco afirmou em depoimento que um dos dois rapazes mexeu com a namorada do seu irmão e que o teriam xingado de otário. Também em depoimento, ela (a namorada) disse que não se sentiu ofendida em momento algum”, disse o delegado.

De acordo com a polícia, Walmir teria saído do bar, em que aconteceu a suposta ofensa, com sua namorada e a deixado em casa. Em seguida ele procurou o seu irmão e os dois voltaram para o bar onde fizeram os disparos.

Francisco da Silva foi encontrado no domingo pelos policiais do 4ºDP no hospital da Vila Alpina, onde já estava detido, após ter dado entrada com um ferimento a bala na perna na semana passada. Ele é acusado de posse ilegal de armas por ter cartuchos no bolso. Ele teria confessado o crime.

Walmir, que tem passagem por roubo e furto, segue foragido. A polícia acredita que ele tenha ido para Foz do Iguaçu, no Paraná. “As investigações estão avançadas e ele será preso”, afirmou Altale.

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