Sem-teto fazem mutirão para limpar prédios invadidos em SP

Após confrontos com a polícia, coordenadores da invasão dizem que "situação está tranquila"

Márcio Apolinário, especial para o iG |

Um dia após a invasão de quatro prédios no centro de São Paulo por cerca de 2 mil sem-teto, os coordenadores do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC) e da Frente Luta por Moradia (FLM), responsáveis pela ação, afirmam que situação é "tranquila" nesta terça-feira. Ontem, houve confronto com a polícia.

Três prédios ocupados são particulares e um pertence ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Foram ocupados prédios na altura do número 925 da avenida Ipiranga, 911 da avenida Prestes Maia, 572 da avenida São João e um edifício sem numeração da avenida Álvaro de Carvalho.

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Segundo dia de ocupação em prédio na Avenida Ipiranga, em São Paulo
Em conversa com a reportagem do iG , a coordenadora do Movimento dos Sem Teto do Centro (MSTC) Carmen da Silva Ferreira contou que as famílias que ocuparam o prédio do INSS realizam a limpeza do local e instalaram a cozinha coletiva. “Hoje é um dia muito importante para nós, porque conseguimos resistir ao tratamento que a polícia nos deu. Ontem a gente ficou das 10h até quase 22h sem entrar com alimentos e água, mas resistimos e agora está tudo tranqüilo”, disse a coordenadora.

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Famílias ocupam prédios do centro de São Paulo (04/10)
Ainda segundo Carmen da Silva, os sem-teto ocupam 12 dos 14 andares do prédio. “Não dá para ficar nos dois primeiros andares ainda, está uma situação muito ruim lá. Está sujo demais e ainda precisamos concentrar a limpeza lá, para depois transformarmos em moradia. Não tivemos tempo de limpar tudo, estamos sem água e luz, quem está nos ajudando com água são os vizinhos”, explicou.

A situação no prédio da avenida Ipiranga é um pouco diferente, como relata a coordenadora do Movimento Frente Luta por Moradia (FLM) Heluiza Soares. “Aqui a gente conseguiu ligar a luz e vamos religar a água ainda nesta tarde. O pessoal agiu rápido assim que a polícia deu uma trégua. Mas ficamos um bom tempo negociando com eles”, explicou.

Heluiza disse também que durante a segunda-feira as famílias ficaram aproximadamente 11 horas sem conseguir entrar com alimentos e água no prédio. “Ontem foi um dia complicado demais, tínhamos que ficar nos preocupando em conversar com a polícia e também em como alimentar as crianças. Mas deu tudo certo no final. A polícia não recebeu nenhum pedido de reintegração de posse e nos deixou em paz”.

Nos outros dois prédios ocupados pelas famílias, a situação também está tranquila, de acordo com a coordenação do MSTC. “Claro que ainda tem muito o que fazer, mas estamos bem aliviados por termos como fazer comida e beber água. Estamos vivendo do jeito que dá”, desabafou Carmen da Silva.

Reivindicações

Entre as reivindicações do FLM está a abertura de um edital de contratação do projeto do imóvel do INSS na avenida Nove de Julho, número 1084, com 540 unidades habitacionais. Projeto que está parado há mais de dez anos.

O movimento também exige a apresentação de cronograma de atendimento em unidades habitacionais de Companhia Metropolitana Habitacional (Cohab), Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e Minha Casa, Minha Vida para as famílias assistidas no programa de atendimento emergencial e Parceria Social totalizando 1.200 famílias.

AE
Três prédios ocupados são particulares e um pertence ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

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