“Sempre me considerei um militante”, diz ombudsman do trânsito de SP

O especialista em transporte e trânsito Luiz Célio Bottura assume o cargo de ombudsman do trânsito na capital paulista

Daniel Torres, iG São Paulo |

A cidade de São Paulo tem hoje mais 7 milhões de veículos emplacados, mais de 3,7 milhões de usuários diários de Metrô, mais de 6 milhões de passageiros que usam ônibus por dia e mais de 2 milhões de usuários de trens na região metropolitana. São números que dão a dimensão da complexidade de organizar o trânsito na maior capital do Brasil. Na tentativa de encontrar soluções, a Secretaria Municipal de Transportes vai começar a contar a partir desta segunda-feira com o engenheiro, especialista em transporte e trânsito, Luiz Célio Bottura no cargo de ombudsman.

Natural de Catanduva, no interior do Estado, Bottura assume o novo trabalho pouco antes completar 71 anos. “Aceitei o desafio porque posso fazer algo útil. Tenho pensado e pesquisado muito o trânsito nos últimos anos. Sempre me considerei um militante do assunto”.

Arquivo US
O engenheiro Luiz Célio Bottura
Trabalhando diretamente com o secretário Marcelo Cardinale Branco, Bottura receberá denúncias e sugestões da população para propor medidas que possam melhorar ou dar mais segurança ao trânsito. “Ombudsman é um representante da sociedade. Serei um ‘sugestionador’ de soluções e críticas. Vou atender recados e sugestões de toda a sociedade e me reunir com a maior parte de agentes públicos e privados. Quero procurar soluções e sugerir atitudes que possam prevenir acidentes. Além de salvar vidas, um menor número de acidentes melhora a fluidez no tráfego”.

Ex-presidente e diretor da Dersa, órgão responsável pela manutenção de todas as rodovias do Estado, Bottura diz que não ficará restrito a receber denúncias e prevê algumas sugestões que poderá fazer após o início do trabalho. “Acho importante que os automóveis andem com o farol baixo durante o dia. Então posso sugerir que os veículos dos serviços públicos circulem com o farol ligado durante todo dia. Também posso me reunir com as montadoras e sugerir que os carros liguem os faróis assim que você vira a chave e liga o carro. Os carros precisam ser vistos”.

O engenheiro diz que sabe que terá muito a sugerir, mas que alguns temas serão prioritários neste primeiro momento. “O foco é a prevenção de acidentes de trânsito e o grande alvo é o pedestre e as pessoas com mobilidade reduzida. Vamos tratar das calçadas e terei uma atenção especial às esquinas também, que hoje é um grande problema nas grandes cidades. Também vou negociar com Metrô medidas de segurança nas estações e tratar de pontos de ônibus colocados de forma insegura na cidade”.

O cargo de ombudsman foi anunciado no início do mês pela Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo durante o lançamento do Programa de Proteção ao Pedestre, quando foram lançadas zonas de proteção ao pedestre, iniciativa para chamar a atenção motoristas e pedestres sobre educação no trânsito. Mas o engenheiro alerta para o fato de todos os agentes do trânsito estarem interligados e que as melhorias só podem ser alcançadas com a contribuição de todos. “A melhoria no trânsito depende de tudo. Do cidadão, do governo, das empresas, de tudo. O trânsito começa entrar na vida do cidadão antes dele nascer e vai até a morte, as vezes até a missa de sétimo dia”, conclui.

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