Sem acordo, agentes da CET continuam com operação-padrão em São Paulo

Durante período de negociação salarial, marronzinhos priorizam educação aos motoristas em vez de multar. Redução de autuações chega a 60%, diz sindicato

iG São Paulo |

Com uma proposta salarial geral de 15% e de 20% para o piso da categoria, os 2 mil agentes da Companhia de Engenharia e Tráfego (CET) continuam atuando em modo "operação-padrão" reduzindo as autuações na capital paulista. De acordo com a diretora de comunicações do sindicato responsável pelas negociações, Marina Retaneiro, após negar a proposta da categoria em assembleia na quarta-feira (17), a CET diz estar "estudando as consequências ao orçamento do órgão". A proposta de reajuste salarial da empresa é de 5%.

Como a diretoria não cedeu em suas propostas de reajuste, um novo encontro será realizado na próxima terça-feira (23). A operação-padrão dos agentes consiste em priorizar orientação aos motoristas em vez de multar. "Não é que deixamos de multar, porém em casos com menor gravidade, os agentes apontam o erro e educam o motorista sem notificá-lo", explica Marina.

De acordo com os números do Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Viário de São Paulo (Sindviários), durante a semana de paralisação, houve uma redução de 60% nas autuações em São Paulo. Casos como estacionar em local proibido, não usar o cinto de segurança e utilizar o celular ao volante são vistos com tolerância pelos agentes nesse período de negociações.

Outro ponto ressaltado pela diretora é a insuficiência de agentes na capital. "São 2 mil marrozinhos para toda a cidade autuando em turnos variados e em esquema de hora extra. Alertamos os funcionários para que não aceitem mais esse regime, forçando a CET a contratar mais funcionários", diz.

CET

Em nota, a CET afirmou que segue acompanhando o trabalho dos agentes em campo "para garantir a normalidade da operação do trânsito". Além disso, o órgão afirma que o Programa de Proteção ao Pedestre, em atuação desde maio deste ano, não será afetado.

Na quarta-feira, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou ainda que defende o diálogo com os agentes . Kassab, porém, ponderou que a prefeitura não pode abrir mão de exigir que seus funcionários cumpram seus deveres. "Em momentos como este, de negociação, os funcionários sabem que têm limite", disse.

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