Secretário afasta comandante de batalhão após sumiço de adolescente em SP

"É perigoso soltar uma tropa na periferia, com arma na cintura", diz secretário. Adolescente sumiu após perseguição na Grande SP

iG São Paulo |

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, determinou, na terça-feira, o afastamento do tenente-coronel Paulo Roberto Madureira Sales e o capitão Eduardo Rangel, do 17º Batalhão de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Isso porque quatro policiais do batalhão são suspeitos de envolvimento no desaparecimento do adolescente Alan Patrick, de 17 anos, no dia 11 de março.

Nesta quarta-feira, por meio de nota, o secretário justificou os afastamentos dizendo que a tropa precisa de "liderança". "A tropa precisa de liderança, precisa ser bem comandada e é perigoso soltar uma tropa na periferia, à noite, despreparada, com uma arma na cintura", afirmou.

Segundo Ferreira Pinto, é preciso haver mais compenetração por parte do capitão, que é o elo entre a equipe e o comando. "Ele tem que exigir de seu policial e ter discernimento para saber qual policial não serve para trabalhar na rua e deve ser recolhido para um trabalho interno", acrescentou.

Futura Press
No último dia 18, familiares e amigos se reuniram em Suzano para pedir "Justiça" e explicações sobre o desaparecimento de Alan Patrick

O caso

O estudante Alan Patrick, de 17 anos, que morava em Suzano, desapareceu no dia 11 de março, em Mogi das Cruzes, Grande SP. Ele foi identificado como suspeito de ter roubado uma moto e, após ser perseguido por policiais, não foi mais visto. A moto e a suposta arma que Patrick estaria usando no dia não foram encontradas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o corpo de Patrick não foi localizado, mas dentro das viaturas utilizadas pelos policiais no dia do desaparecimento foi constatada a presença de sangue.

Quatro policiais foram afastados e, desde o dia 13 de março, cumprem prisão temporária de 30 dias no Presídio Romão Gomes, da PM. Ferreira Pinto afirmou que quatro tenentes-coronéis e quatro capitães foram afastados em ocasiões similiares a esta desde que assumiu o cargo.

Ele considera ainda que na periferia é onde os policiais precisam de ainda mais preparo. "Lá tem de haver um coronel que possa ser promovido por merecimentos, porque ele realmente fez um sacrifício a mais na carreira dele. É muito mais fácil trabalhar na Lapa do que em Itaquera, lugar que precisa de rigor e atenção maior", argumenta.

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