São Paulo tem primeiro casamento gay coletivo após decisão do STF

Evento que celebrou união de dez casais acontece em meio a divergências entre o movimento gay e líderes evangélicos

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Dez casais de gays e lésbicas participaram na noite deste sábado, no salão nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, do primeiro casamento coletivo gay depois da decisão do Supremo Tribunal Federal de reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Ricardo Galhardo
Casais gays se preparam para casamento coletivo e SP
O evento que acontece há três anos foi celebrado pela Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), fundada em 1968 nos Estados Unidos, que se autodefine como uma entidade cristã inclusiva, e acontece em meio à divergências entre o movimento gay e líderes evangélicos que, na quinta-feira, transformaram a Marcha para Jesus em um ato de protesto contra a decisão do STF. Além das divergências sobre a união civil homoafetiva, gays e evangélicos travam uma batalha no Congresso em torno do PLC 122, que propõe a criminalização da homofobia.

"Se os líderes evangélicos recrudescerem nesse tipo de discurso vai haver uma polarização. Eles têm assaltado o Estado laico com a Bíblia em punho, exibindo argumentos fora de contexto na casa maior da Justiça brasileira", disse Márcio Retamero, reverendo da ICM.

Segundo ele, embora o casamento coletivo gay já não seja uma novidade no país, o deste ano tem um sabor especial já que é o primeiro depois da decisão do STF. Ao contrário das duas edições anteriores, quando os casamentos se limitavam a uma celebração religiosa, neste sábado a cerimônia contou com a presença da tabeliã de um cartório que entregou escrituras de união estável aos casais. "Somos nós tomando posse do direito que o Judiciário tem nos dado", disse Retamero.

O fato mereceu destaque do reverendo Cristiano Valério, que celebrou a cerimônia. "Hoje celebramos o amor entre estes casais e também a conquista que tivemos no STF", disse ele.

Disputas políticas e ideológicas à parte, o evento teve todos os ingredientes de um casamento. Chuva de arroz para os noivos, trocas de alianças, padrinhos e parentes emocionados aos prantos, brinde de espumante, a valsa nupicial executada por uma orquestra, nervosismo, frio na barrriga e até o tradicional atraso. Previsto para às 18h, o casamento só começou uma hora depois.

De diferente apenas duas noivas vestindo smokings, um noivo que carregava um buquê de flores e usava tiara com pedras cintilantes no cabelo e o bolo que, em vez um casal de bonecos tinha dois, formados por dois noivos e duas noivas de mãos dadas.

Agência Estado
Evento no centro de São Paulo celebrou união de 10 casais

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