São Paulo tem 10 mil km de estradas esburacadas

Sem conservação, estrada de pista simples não aguenta o tráfego pesado e intenso

AE |

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Dos 15,8 mil quilômetros de rodovias estaduais sem pedágio do Estado de São Paulo, pelo menos 10 mil km têm problemas de conservação e precisam de reformas, aponta levantamento realizado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Setcesp). A extensão da malha ruim é quase o dobro dos 6,2 mil quilômetros da rede estadual com pedágio, considerada em bom estado. O alto custo da tarifa leva os motoristas, principalmente caminhoneiros, a usar as rodovias sem pedágio como rota de fuga, piorando suas condições.

Um trecho de 213 km da Rodovia Raposo Tavares (SP-270), entre Itapetininga e Ourinhos, é uma das principais rotas usadas pelos caminhões de carga procedentes de Mato Grosso do Sul em direção à Grande São Paulo ou à Baixada Santista. Nela, as carretas bitrens evitam a Rodovia Castelo Branco e economizam R$ 174,50 por viagem. Em uma viagem de ida e volta, a economia dobra.

O problema é que, sem conservação, a estrada de pista simples não aguenta o tráfego pesado e intenso. O asfalto está esburacado e os acostamentos desapareceram. O único serviço, de tapa-buracos, é ocasional e não dá conta. A Rodovia Floriano de Camargo Barros (SP-143), que liga a Castelo à Marechal Rondon, também virou rota de fuga, segundo o levantamento do sindicato. Com isso, suas pistas afundam sob o tráfego de carretas. O trecho de 25 km está repleto de "borrachudos", pontos de afundamento. Já a Rodovia Euryale de Jesus Zerbine (SP-066), perto de Guararema, é usada pelos caminhões para escapar dos pedágios da Carvalho Pinto. A pista é simples, sem acostamento e o asfalto está deteriorado.

Malha viária. O Setcesp monitora as condições das rodovias em São Paulo para passar informações aos associados. De acordo com o vice-presidente da entidade, Manoel Sousa Lima Júnior, o Estado tem duas malhas viárias bem distintas. "Uma é a malha concedida à iniciativa privada, que é boa, mas também tem pedágios com valores absurdos, e outra é a malha sem pedágio, quase toda de estradas muito ruins. Parece que, ao fazer a concessão, o Estado se desobrigou de conservar o resto", diz.

Ele cita a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), bem conservada na região de Jaú, onde os motoristas têm de pagar pedágio. No trecho sem cobrança, entre Adamantina e Panorama, o asfalto é ruim, não há acostamentos e os acidentes são frequentes. 

Recuperação

O governo estadual quer recuperar 5 mil quilômetros de estradas paulistas em quatro anos. Segundo o superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Clodoaldo Pelissioni, o plano é investir entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões por ano na recuperação da malha viária. Apenas em projetos, devem ser aplicados cerca de R$ 100 milhões por ano.

O Estado também é responsável pela manutenção de 145 mil quilômetros de estradas vicinais, dos quais 15 mil são pavimentados. "O governador Geraldo Alckmin determinou que a política é fazer obras nas estradas que não têm pedágio para que elas sejam tão boas quanto as que têm."

Neste ano, segundo Pelissioni, mil quilômetros de rodovias estão em obras de recuperação ou em processo de licitação. Até o ano que vem, outros 70 trechos, com 1,5 mil quilômetros, serão licitados. Estão incluídas rodovias como a Tamoios e a Padre Manoel da Nóbrega. "O governador mandou fazer o projeto para os dois trechos sem pedágio da Raposo Tavares, do trecho urbano de São Paulo até o km 30, e o trecho de Itapetininga a Ourinhos", disse o superintendente do DER. Onde houver necessidade, haverá terceira faixa ou pista dupla, segundo ele.

Segundo Pelissioni, o DER está contratando uma empresa para fazer a contagem do tráfego em 200 pontos estratégicos das rodovias com pista simples do Estado. O objetivo é verificar se há necessidade de duplicação. Trechos rodoviários com volume de tráfego igual ou superior a 10 mil veículos por dia devem ser duplicados, de acordo com o superintendente. Além da densidade de tráfego, são levados em conta fatores como o número de acidentes e o estudo de pontos críticos. O governo acaba de contratar o projeto para a duplicação de 20 quilômetros da Rodovia João Leme dos Santos (SP-264), entre Sorocaba e Salto de Pirapora.

As estradas com pontos de interdição, segundo o superintendente, são tratadas como situações de emergência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo..

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