"Rezo por ela todos os dias", diz pai de Sandra Gomide

No dia que marca 10 anos da morte da jornalista, família fica em casa. "Nunca tive coragem de visitar o túmulo", diz João Gomide

Ricardo Galhardo |

Na casa modesta onde moram os pais de Sandra Gomide, na Zona Sul de São Paulo, o dia em que completam 10 anos do assassinato da jornalista vai passar como outro qualquer. A família de Sandra não encomendou missa, vela, ou qualquer outro tipo de celebração.

"Não adianta rezar missa porque nem eu nem a mãe dela podemos ir, já que não conseguimos mais andar. Desde a morte só fui a uma missa e fiquei muito deprimido. Até hoje não tive coragem nem de visitar o túmulo da Sandra", disse João Gomide, pai da jornalista, ao iG .

Vítima de um câncer no intestino, ele se locomove com ajuda de um andador. A mulher, que sofre de transtorno bipolar e um edema pulmonar, vive na cama. "Ontem (quinta-feira) ela caiu e eu precisei chamar um vizinho porque não dei conta de levantar ela sozinho", disse João Gomide.

A única coisa a quebrar a rotina da casa é a maratona de entrevistas a veículos de imprensa que não deixaram passar em branco os 10 anos do crime. "Isso me deixa contente. A imprensa está dando uma atenção muito grande. Só dá para comparar com a cobertura da morte da Sandra", disse Gomide.

Para ele, a ampla cobertura jornalística pode ajudar a pressionar o ministro Celso de Mello, do STF, relator do processo que pode levar finalmente o assassino Antonio marcos Pimenta Neves para a cadeia.
Os 10 anos do assassinato de Sandra não terão nem sequer uma oração especial.

"Rezo por ela todos os dias. Peço a Deus que dê uma punição ao Pimenta e que ela esteja em um bom lugar, se é que existe outro lugar", disse o pai de Sandra.

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