Responsabilidade não deve se limitar aos operadores do Hopi Hari, diz delegado

Operadores revelaram falhas no treinamento. "A gente vai, na hierarquia, chegar até quem teve o dever de zelar pela integridade dos usuários", disse delegado

AE |

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O delegado de Vinhedo, no interior de São Paulo, Álvaro Santucci Noventa Júnior, que investiga as causas da morte da adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos, após queda de um brinquedo do parque de diversões Hopi Hari , no dia 24, disse que a responsabilidade pelo uso indevido do equipamento deve ser estendida à direção do parque.

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DENNY CESARE/FUTURA PRESS/AE
Parque está fechado desde sexta (2). Perícia analisa atrações potencialmente perigosas
Noventa Júnior fez essa afirmação após ouvir o depoimento do segundo de cinco operadores da atração La Tour Eiffel que estavam no brinquedo naquele dia . Assim como Vitor Igor Spinucci de Oliveira, de 24 anos, afirmou em depoimento na quarta-feira passada, o operador Marcos Antonio Tomaz Leal, de 18 anos, disse hoje que seu treinamento para operar o brinquedo foi a leitura de um manual intitulado "padrão básico operação rides". Leal trabalha no Hopi Hari há seis meses e estava na Torre Eiffel havia 20 dias. O manual, com dez páginas, tem informações gerais sobre o parque, mas não sobre a atração, especificamente. 

"Se ocorreu apenas a leitura é um ato muito falho da direção do parque. De quem está hierarquicamente acima deles e até mesmo da direção, se sabia disso", afirmou Noventa Júnior. "Então, não vai se limitar aos operadores a responsabilidade. A gente vai, na hierarquia, chegar até quem teve o dever de zelar pela integridade dos usuários do parque", disse. O delegado informou que vai ouvir os outros três operadores do brinquedo nesta quarta-feira e, se necessário, outros funcionários, para confirmar se não havia um curso mais aprofundado para operar os equipamentos. 

O advogado do parque, Alberto Toron, reafirmou que o treinamento dos funcionários tem três fases, incluindo uma de campo. "O treinamento não se resumia à simples leitura do manual. Tinha três fases, sendo que a terceira era em campo, ao lado de funcionários mais experientes", afirmou. "Quem faltou com dever de cuidado faltou em relação a algo muito simples. Portanto, vamos aguardar a continuidade das apurações e confiamos no juízo prudente do delegado de polícia", completou. 

O brinquedo é uma torre com cinco conjuntos com quatro cadeiras cada um. Dois deles estão interditados. A cadeira do setor 3 na qual Gabriella sentou-se estava inoperante havia ao menos dez anos. O parque explica que o assento não era usado pois se um visitante com maior estatura se sentasse ali poderia esbarrar os pés em estrutura metálica usada para dar ao brinquedo o formato da Torre Eiffel. 

Acareação

Ademar Gomes / Divulgação
Foto antes do acidente define posicionamento da família no brinquedo. Gabriela está ao fundo (dir.)
Marcos Leal não deu entrevista, assim como Vitor Oliveira. O advogado de ambos, Bichir Ale Bichir Júnior, disse que seu cliente contou ao delegado que 15 minutos antes da abertura dos portões do parque teria notado que a trava da cadeira inoperante estava solta. O rapaz teria avisado Oliveira. Segundo Leal, o colega teria avisado a um superior. Porém, em seu depoimento, Vitor Oliveira disse ter acionado uma colega chamada Amanda que entrou em contato com o atendente sênior Lucas Martins. A ele, a funcionária teria dito que a cadeira travada do setor 3 estava abrindo, o que permitia que alguém sentasse ali. "Prossegue que estou acionando a manutenção", teria respondido Martins, conforme depoimento do primeiro operador. 

No momento do acidente, quem operava o setor 3, segundo informações dos dois depoimentos, era um funcionário chamado Edson. Os sobrenomes de Amanda e Edson não foram divulgados. Em depoimento dado na semana passada, a mãe de Gabriella, Silmara, disse ter questionado o fato da cadeira da filha não possuir um cinto de segurança ligando a trava ao banco e ter ouvido de algum funcionário: "o brinquedo é seguro". A família apresentou uma fotografia ao delegado. Na imagem, Marcos Leal está à frente do conjunto de cadeiras ocupadas pela família Nichimura. Ao lado do setor aparece Edson. 

O advogado Bichir Ale Bichir Júnior informou que Leal estava em movimento no momento da fotografia e que seus clientes operavam os setores 2 e 4. O delegado disse que vai ouvir Edson, bem como duas outras operadores e o atendente sênior. "Os dois ouvidos até o momento se eximem de terem respondido à mãe. É importante chegar aos outros operadores. Se for necessário, marcaremos uma audiência de acareação".

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