Removidas 16 ossadas que podem ser de desaparecidos políticos

Sepulturas clandestinas foram localizadas no Cemitério Vila Formosa, que podem estar enterrados desaparecidos na época da Ditadura

Agência Brasil |

Foram removidas nesta terça-feira (30) 16 ossadas encontradas em sepulturas clandestinas no Cemitério Vila Formosa, onde podem estar enterrados restos mortais de desaparecidos políticos pela Ditadura Militar (1964-1985). O local começou a ser escavado ontem (29) pela equipe que faz buscas no cemitério desde o último dia 8.


A perícia é conduzida por um grupo formado por representantes do Ministério Público Federal, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal e do Instituto Médico Legal.
Os restos mortais retirados surpreenderam a equipe, segundo a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga, pois indicam que o local clandestino continuou sendo usado até a década de 1990. “Além de ser utilizado, ele não foi documentado em lugar nenhum e ele recebeu ossos de pessoas identificadas que não puderam continuar pagando os ossários privados”.

O mais grave, de acordo com a procuradora, é que a sepultura comum foi descaracterizada e camuflada no ano 2000. “Foi totalmente aterrado e encoberto, construíram um canteiro em cima”.
Eugenia disse, no entanto, não saber se a ocultação do ossário foi uma falha administrativa ou um ato deliberado. “Se foi uma falha administrativa, foi muito grave. Não podia simplesmente ter aterrado um local que abriga restos mortais humanos”.
O Ministério Público pretende investigar porque foi feito o aterramento do local, mesmo se sabendo que o cemitério de Vila Formosa poderia abrigar corpos de desaparecidos políticos.
Até sexta-feira (3), a equipe deverá identificar todo o conteúdo da sepultura. As escavações atingiram 1,5 metro de profundidade e devem chegar a 3 metros.
As buscas de corpos em Vila Formosa devem localizar os restos mortais de cerca de dez desaparecidos pelo Regime Militar. Entre eles, o de Virgílio Gomes da Silva, conhecido pelo codinome Jonas. Ele era líder sindical dos químicos e comandou o sequestro do embaixador americano Charles Elbric.

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