Reconstituição do caso Mércia reforça contradições, diz polícia

Para delegado, Mizael Bispo não teria como ter parado o carro em rodovia para pegar prostituta, como ele alega

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A reconstituição realizada na tarde de quarta-feira de parte do trajeto do policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza em 23 de maio, dia da morte da ex-namorada Mércia Nakashima, reforçou contradições constatadas no depoimento dele. Para a polícia e o Ministério Público, Mizael - acusado de matar Mércia - mentiu ao afirmar que estava com uma prostituta na hora em que a advogada foi morta.

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Policiais civis, na quarta-feira, durante a reconstituição do trajeto que Mizael teria feito no dia do desaparecimento de Mércia Nakashima

Durante depoimentos, ele alegou ter conhecido a garota de programa na rodovia Hélio Smidt, em Guarulhos, Grande São Paulo. Mizael teria parado o carro para que ela entrasse no veículo. "Ele está mentindo, porque o carro continuou andando", rebateu o delegado Antônio de Olim, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Ele ressaltou que o local indicado pelo GPS do carro de Mizael tem tráfego intenso. "Ali não dá para parar", reforçou.

A pedido da Promotoria Pública, policiais fizeram fotografias e medições do local onde o advogado teria se encontrado com o vigia até o lugar onde o ex-PM teria pegado Mércia naquele dia.  O trajeto de reconstituição passou em todos os pontos apontados pelo celular de Mizael no dia em que a Mércia morreu. Segundo o promotor Rodrigo Merli Antunes, o trabalho serve para a preparação de um desenho que será exibido para os jurados e para desmentir informações passadas em depoimento por Mizael.

Além de Olim e do promotor Antunes, participaram da reconstituição peritos e o advogado da família e assistente de acusação, Alexandre Domingues de Sá. A reconstituição total do crime, na represa de Nazaré Paulista, deve acontecer quando o tempo estiver mais quente e quando houver lua cheia, condições semelhantes às da noite em que a advogada foi assassinada.

Sobre a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) de revogar as prisões de Souza e do vigia, o delegado afirmou que "é desanimador, mas é a lei". "Eu fiz a minha parte", disse.

Depoimento

Pouco antes da reconstituição, a polícia ouviu o pintor Altair de Souza, irmão de Mizael. O objetivo era descobrir porque Altair conversou 27 vezes por telefones com o vigia Evandro em datas próximas ao dia em que Mércia foi vista pela última vez.

Altair permaneceu no DHPP por cerca de uma hora e, segundo o advogado dele, Samir Haddad Jr., que é o mesmo que defende Bispo, Altair manteve a versão que deu no 1º depoimento . "Ele queria arrumar um segurança para ficar na rua do Mizael para evitar algum tipo de arbitrariedade, que pixassem a casa dele ou coisas do tipo. E ele também estava negociando a compra de um terreno em Nazaré Paulista", afirmou Haddad.

Entenda o caso

Mércia foi vista pela última vez no início da noite do dia 23 de maio, no bairro Macedo, em Guarulhos, na casa da avó. Depois que saiu de lá, não fez mais contato com amigos ou a família.

Mércia e Mizael foram sócios e namorados. Em entrevista ao iG, antes mesmo de saber da morte da irmã, Cláudia Nakashima, disse que o namoro dos dois foi marcado por idas e vindas e muitas brigas. "Quando estava com ele Mércia era outra pessoa. Ela não podia falar com ninguém, vizinhos do prédio até falam que quando ela estava sozinha no elevador cumprimentava; quando estava com ele, abaixava a cabeça”, disse Cláudia.

No dia do sumiço de Mércia, o advogado alegou que foi visitar a filha e um irmão, com quem almoçou e, depois, saiu com uma garota de programa. Um fato que complicou a situação de Bispo é que o rastreador do carro dele mostrou que das 18h40 às 22h38 ele ficou estacionado em frente ao estacionamento do Hospital Geral de Guarulhos, em uma rua a menos de cinco minutos da casa da avó de Mércia.

No dia 11 de junho, um pescador encontrou o corpo de Mércia boiando em uma represa de Nazaré Paulista. No mesmo local, um dia antes, homens do Corpo de Bombeiros de Atibaia já haviam localizado o veículo da vítima, com todos os pertences dela dentro.

O laudo divulgado no último dia 20 de julho pelo Instituto Médico Legal (IML) diz que Mércia foi ferida por disparo de arma de fogo no braço esquerdo, na mão direita e no maxilar. Além desses ferimentos, ainda foi atingida no rosto por um outro objeto, que a perícia não conseguiu precisar qual foi. A causa da morte apontada no laudo é afogado. Para a polícia, ela teria sido jogada dentro do carro, ainda com viva, mas desacordada, na lagoa de Nazaré Paulista. Leia também a cronologia do caso .

*Com informações do iG São Paulo


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