Quarteirão do São Vito começa a ser demolido em São Paulo

Prédios degradados do centro de São Paulo são demolidos para dar lugar a parque

AE |

Imóveis localizados no quarteirão dos Edifícios Mercúrio e São Vito, tidos como símbolos da degradação da região central, começaram a ser demolidos há duas semanas. A área, de cerca de 5,3 mil m², deve dar lugar a um parque que ligará o Mercado Municipal ao Palácio das Indústrias. Não há prazo para o fim da obra.

Um projeto de reurbanização da região do Parque Dom Pedro II deve ser apresentado em três meses, segundo a Prefeitura. A revitalização da área é estudada pela Prefeitura desde a administração Marta Suplicy (2001-2004). Em 2002, a então prefeita anunciou que reformaria os dois imóveis e os devolveria aos donos. Na gestão José Serra/Gilberto Kassab (2005-2008) foi definido que os prédios seriam demolidos.

Atualmente, o perímetro formado pelas avenidas do Estado e Mercúrio e pelas ruas Carlos Garcia e Luís de Camões está cercado por tapumes. Uma loja de móveis, última casa ainda ocupada no quarteirão, mudou-se para a avenida Senador Queiroz. "O terreno foi desapropriado faz três meses. Falaram que vão demolir tudo. O treme-treme (como é conhecido o São Vito) é o próximo", conta uma funcionária da loja, que pediu para não ser identificada.

Operários que trabalham na demolição dos prédios dão como certo que logo estarão destruindo as paredes do São Vito. O edifício terá de ser demolido manualmente para não afetar a estrutura do Mercado Municipal, que fica do outro lado da avenida do Estado. Uma implosão poderia danificar os 32 vitrais alemães do Mercadão.

A Fundação para a Pesquisa Ambiental (Fupam), ligada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, foi contratada em janeiro com o objetivo de elaborar um plano urbanístico para a região do Parque Dom Pedro II.

Justiça

Os Edifícios São Vito e Mercúrio ainda não tiveram o mesmo destino dos vizinhos de quadra por conta de uma briga que se arrasta na Justiça desde julho de 2009. A Defensoria Pública entrou com uma ação civil pública pedindo que os edifícios sejam usados como moradias populares, em vez de darem lugar a um parque, como prevê a Prefeitura.

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