Pugilista Jefferson Gonçalo encerra tragicamente sua carreira

Após desmaiar no ringue, exames apontam lesão no cérebro causada por sequência de golpes em lutas. Lutador está internado em coma

Márcio Apolinário, especial para o iG |

O pugilista Jefferson Gonçalo não podia imaginar que sua carreira terminaria de forma tão trágica. O lutador sofreu um trauma no cérebro durante sua última luta no Ginásio João Sebastião Ferraro, na cidade de Salto (interior de São Paulo), no sábado (2). Ele passou por uma cirurgia de cinco horas, na qual foi retirada parte de seu cérebro. Ele está em coma induzido na UTI do Hospital Samaritano de Sorocaba.

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Jefferson passou por uma cirurgia no cérebro após sua última luta, no sábado (02)
Ao término do quarto round, Jefferson se mostrava cansado e chegou a ser orientado pelo irmão e técnico Natal Gonçalo a desistir do embate. Mas o atleta optou por continuar. Deu apenas alguns passos antes de encostar nas cordas e cair repentinamente aos 45 segundos do quinto assalto. Foi levado às pressas ao hospital. No caminho, chegou a reclamar de dores, dizendo que seu cérebro parecia inchar. Pouco antes de ser sedado, comentou que não sentia suas pernas.

Natal Gonçalo, em entrevista ao iG, afirma que o médico responsável pela cirurgia lhe disse que a lesão no cérebro do lutador pode ser resultado de duros golpes sofridos pelo atleta nos últimos meses. Só o último exame de tomografia apontou o trauma.

Natal Gonçalo conta que essa seria a última luta de Jefferson, após mais de 30 anos dedicados à prática de lutas marciais. “Alguns minutos antes do embate, eu e o Jefferson conversamos e chegamos à conclusão de que não valia mais a pena financeiramente ele continuar realizando eventos de luta. A gente não tem patrocínio. Sempre bancamos todos os investimentos. Ele topou parar, e realmente essa foi a última luta dele”, relata emocionado Natal.

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Vida do boxeador sempre foi dedicada às lutas
Desde a morte de seu pai, há 30 anos, a vida de Jefferson foi dedicada às lutas. “A gente assistia aos filmes do Bruce Lee e saíamos na rua brincando de lutadores. Jefferson levou isso para sua vida. A rotina dele sempre foi do trabalho para a academia. Ele chegou a trabalhar um bom tempo em uma grande empresa fabricante de tecidos técnicos, mas isso nunca foi a dele. O negócio dele sempre foi lutar. Ele chegou a ser campeão invicto de kickboxer por quatro anos. Era a vida dele. E agora ele não tem mais isso.”

A seriedade com que sempre se apresentou nos ringues é relatada por Reinaldo Carrera, presidente da Liga Paulista de Boxe Profissional. “O amor dele ao esporte se transformou em referência para os alunos da Academia Alfa, na cidade de Salto. O boxeador trabalha há três temporadas na academia e, na medida do possível, conseguiu colocar alguns de seus alunos em ação, como no último sábado no Ginásio João Sebastião Ferraro.”

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Gonçalo era tratado como referência para os alunos da Academia Alfa, na cidade de Salto
Carrera conta que antes de se preparar para subir ao ringue, em sua última luta contra Ismael Bueno, Gonçalo orientou os combates preliminares de seus pupilos, da chamada Equipe Jeca Boxe. 

Natal Gonçalo, que também é lutador, lembra momentos engraçados passados pelo irmão. “Há uns oito anos, ele ia lutar contra um pugilista em Minas Gerais. Ele se preparou para pegar um ‘gigante dos ringues’. Chegando lá o cara era um tampinha. Ele pensou que ia ganhar fácil e perdeu a luta por pontuação. Foi engraçado demais, e até hoje ele usa isso para instruir seus alunos.”

A expectativa de recuperação de Jefferson é boa, segundo Natal. "Os médicos que estão atendendo Jefferson mostram-se muito satisfeitos com a reação pós-cirúrgica, e com o avanço do quadro clínico. Foi uma bênção e uma ótima notícia para toda a família. Ele poderia ter morrido na mesa de cirurgia. Embora ainda exista uma possibilidade remota de ele ficar com o lado esquerdo paralisado, nossa expectativa e da junta médica é que ele fique com poucas sequelas. Eu e toda a família temos muita fé, ele vai sair dessa.”

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