Promotoria pede abertura de inquérito contra PMs em ação na USP

Segundo representação de um aluno que mora no Conjunto Residencial da USP, a polícia teria cometido excessos durante a reintegração de posse da reitoria. Polícia Militar nega

Fernanda Simas, iG São Paulo |

AE
Operação de reintegração de posse da reitoria
O Ministério Público (MP) de São Paulo pediu a abertura de inquérito policial contra policiais militares que supostamente invadiram o Conjunto Residencial da USP (Crusp), durante a reintegração de posse da reitoria da universidade. O promotor Eduardo Ferreira Valério se baseou na representação de um aluno morador do Crusp, que denunciou que teria havido possíveis crimes por parte dos policiais.

O caso foi encaminhado para o Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), para o Gecep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do próprio MP, e para a Corregedoria da Polícia Militar.

O diretor do Decap, Carlos José Pascoal de Toledo, informou que o departamento ainda não recebeu nenhuma requisição para a abertura de inquérito sobre o caso. Toledo ressaltou que, caso receba o documento, o Decap atenderá a exigência legal e seguirá o procedimento regular de instauração do inquérito policial, presidido pela delegacia da área.

Em nota, a PM afirma que a operação de reintegração foi planejada e "coordenada pelo próprio Comandante Geral, que inclusive proibiu a utilização de munições químicas, entre outros cuidados, para a ação". O documento ressalta que não houve exagero, abuso ou arbitrariedade por parte dos policiais que realizaram a ação, gravada pelo Comando de Choque e pelo Centro de Comunicação Social.

No dia 8, a PM realizou a operação de reintegração de posse da reitoria – determinada pela Justiça de São Paulo – e prendeu 73 pessoas em flagrante. Os presos foram indiciados pelos crimes de desobediência e dano ao patrimônio público.

Na ocasião, a polícia afirmou que dentro da reitoria havia pichações nas paredes, tinta e materiais de escritório jogados no chão, garrafas de bebidas, rojões e fios elétricos espalhados. No 1º andar do edifício, a Polícia Militar apreendeu sete garrafas de coquetel molotov e na entrada, um dos motores elétricos que abrem o portão de acesso ao prédio estava arremessado no chão, junto com várias cadeiras, papéis e material de escritório.

A versão dos estudantes que ocuparam a reitoria é outra. Eles negam que tenham quebrado quadros e móveis dentro do prédio e afirmam que as garrafas de coquetel molotov foram colocadas por outras pessoas . Segundo eles, quando a polícia chegou a maioria deles dormia e foi acordada com o barulho da “quebradeira” de portas e vidros.

Greve

Os alunos de 13 faculdades da USP estão em greve desde o dia 8 para tentar pressionar a administração da faculdade a romper o convênio com de segurança estabelecido com a PM. Os alunos também pedem a suspensão dos processos administrativos envolvendo funcionários e alunos que invadiram a reitoria.

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