Projeto prevê hospital de trauma em prédio abandonado na zona sul

O local é considerado estratégico, pois facilitaria o recebimento de pacientes e o trânsito de ambulâncias

AE |

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A capital paulista pode em breve perder um esqueleto de concreto abandonado há cerca de 10 anos e, em troca, ganhar um moderno hospital especializado no atendimento de traumas.

Há uma semana, uma placa de "vende-se" foi colocada na fachada de um imóvel que pertenceu à Unimed, na Rua Afonso Baccari, na Vila Clementino, zona sul de São Paulo, ao lado da pista sentido centro da Avenida Rubem Berta.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) é uma das interessadas no imóvel. Se o negócio vingar, a instituição pretende construir ali um hospital de trauma, com retaguarda para vítimas de desabamentos, incêndios e acidentes de avião. Seria o primeiro centro médico do País com este modelo.

O local é considerado estratégico por ficar às margens do corredor Norte-Sul, o que facilitaria o recebimento de pacientes e o trânsito de ambulâncias. Também está próximo do Aeroporto de Congonhas, na zona sul, e das Avenidas 23 de Maio e Bandeirantes, que estão no ranking das 50 vias com mais mortos em acidentes no ano passado, com cinco e quatro registros, respectivamente. Além disso, em 2009, a 23 de Maio teve média de 22,5 acidentes com motos a cada quilômetro, número próximo do registrado na Marginal do Tietê (24,6 acidentes por quilômetro).

Interrupção

O prédio à venda pertencia à Unimed São Paulo quando, em 2000, teve sua construção interrompida em função das dívidas da empresa, então uma das principais operadoras de planos de saúde do País. A obra parou após a empresa ser liquidada extrajudicialmente. Anos antes, o prédio já tinha sido propriedade de outros dois grupos da área médica e também havia se tornado motivo de disputa judicial por falência das controladoras, indo duas vezes a leilão.

Na época da interrupção, 70% do prédio estava concluído, com janelas de vidro, pintura e um heliponto. A Unimed havia gastado R$ 42 milhões e previa desembolsar mais R$ 70 milhões para finalizar o hospital, incluindo os equipamentos. Com o passar dos anos, por conta do imbróglio judicial, a construção se degradou e hoje a fachada está pichada e sem vidros.

O atual dono, cujo nome não foi revelado, comprou o edifício recentemente e decidiu revendê-lo, segundo a Imobiliária Valentina Caran. Fazem parte do negócio outros dois terrenos, um ao lado do prédio e outro em uma rua atrás, com cerca de 3, 5 mil metros quadrados.

Desde a semana passada, a imobiliária tem recebido ligações de interessados. Até agora, todos eram grupos empresariais da área da saúde. O valor inicial pedido pelo prédio, segundo a imobiliária, era de R$ 65 milhões, mas está sendo revisto.

"Também está sendo feito um estudo financeiro para saber qual o custo para terminá-lo", afirma Valentina Caran, dona da imobiliária. Ela já acompanhou até o imóvel vários interessados em visitá-lo.

"Sem dúvida, deve haver muitos interessados porque o local é ótimo para a instalação de hospitais. O projeto original era fantástico. Pena nunca ter sido concretizado", lamenta Cid Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo e um dos diretores da Unimed na época.

Alternativa

O prédio da Unimed não foi a primeira opção da Unifesp. Antes, a universidade estudou construir o hospital de trauma em um terreno na esquina das Ruas José de Magalhães e Pedro de Toledo. No entanto, em 2009, a área foi cedida para o projeto de expansão do Metrô.

Se fechar o negócio, o prédio vai fazer parte do projeto Bairro Universitário, que a instituição está implementando na Vila Clementino em parceria com a Prefeitura.

"Estamos em conversa com os governos estadual e municipal, além da União, para isso, mas, caso não dê certo de o negócio ser fechado ali, vamos continuar procurando outro local", diz o coordenador da comissão de verticalização do Bairro Universitário e professor titular da Unifesp, Paulo Pontes.

A Prefeitura informou, porém, que no protocolo do Bairro Universitário não há nenhuma referência específica sobre a aquisição do prédio da Unimed. Segundo Pontes, o hospital vai funcionar de modo diferenciado.

"A ideia é fazer atendimento de acidentados e de traumas no dia a dia, mas que não fiquem internados ali. No máximo esses pacientes terão permanência de 24 horas porque o hospital tem de estar vazio para receber vítimas de tragédias, como incêndios, atentados, explosões, queda de avião, etc. Será um local com estrutura para atender centenas de pessoas ao mesmo tempo", diz.

"E é importante ficar no bairro universitário, que já terá todo o corpo clínico treinado para isso."

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