Projeto premiado transforma periferia de São Paulo

Conjuntos habitacionais e parque com quadras de futebol, pista de skate e decks de madeira levaram lazer e melhor condição de vida para moradores

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Ruas asfaltadas, encanamento, moradias dignas e opções de lazer. Coisas básicas às quais todos os cidadãos deveriam ter acesso. Mas para aproximadamente três milhões de paulistanos, que vivem em alguma situação irregular, elas só se tornaram realidade nos últimos anos. Projetos de reurbanização desenvolvidos no Complexo Cantinho do Céu (que abrange as comunidades Parque Residencial dos Lagos, Cantinho do Céu e Gaivotas), na zona sul a capital paulista, e na Favela Nova Jaguaré, na zona oeste, transformaram a paisagem e a vida dos moradores desses lugares.

Marcelo Rebelo
Imagem aérea mostra parte do Cantinho do Céu depois da reurbanização

Premiado na Bienal de Quito (3° lugar), na Bienal de São Paulo (1°) e exposto em outras bienais, como a de Veneza, o projeto Cantinho do Céu une residências, infraestrutura e áreas de lazer e começou em 2008, por meio de uma parceria entre o escritório Boldarini Arquitetura e Urbanismo e a Prefeitura. “Perto do que era antes, nós estamos no paraíso”, resume Vera Lúcia Basália, integrante da Associação de Amigos do Parque Residencial dos Lagos há 21 anos e moradora do local há 23.

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A comunidade ganhou, além de infraestrutura, um parque na beira da Represa Billings com espaços verdes, decks de madeira, praças, playground para as crianças, quadras de futebol e vôlei de areia, rampas de skate, quadra de futebol sintética, academia de ginástica para a terceira idade e um espaço de cinema ao ar livre.

O arquiteto Marcos Boldarini e sua equipe ganharam a licitação e começaram a estudar o que poderia ser feito para melhorar a vida de cerca de 10 mil famílias, em uma área de 1,5 milhão de metros quadrados, então inovaram na criação do parque.

“Todos são moradores da mesma cidade e há um déficit que precisa ser superado. Temos 1.600 favelas em São Paulo. Vimos a possibilidade de construir um parque na margem melhorando as condições de risco e os déficits”, explica Boldarini. Até o momento, 1,5 Km de parque foram construídos e já são usufruídos pela população.

Daniel Ducci
Pessoas fazem ginástica em deck de madeira no parque do Cantinho do Céu
Vera conta que a rotina e o comportamento dos moradores mudaram muito desde 2009. “As pessoas veem o parque aqui embaixo, as ruas asfaltadas e decidem que a casa delas precisa ser bonita, por isso começaram a fazer reformas nas fachadas.”

A líder comunitária, conhecida e respeitada por todos do local, abri o sorriso quando passa por uma área de deck e diz que ali idosos fazem caminhada e exercícios, crianças andam de bicicleta e pessoas param para admirar a vista – a represa Billings com garças e patos e, ao longe, o Rodoanel. “Trouxeram lazer para a periferia. Agora o povo tem onde passear, isso de fim de semana enche.”

Para o projeto ser viabilizado, 25% das moradias tiveram que ser removidas das margens da represa. Essas eram as casas que estavam na área considerada de risco e todos os moradores foram realocados. “A remoção das famílias foi um pouco mais difícil, mas depois que as pessoas foram percebendo o benefício e como o local foi se transformando, o que a gente tem hoje de depoimento é absolutamente sensacional e muito sedutor. Eles têm uma sensação de orgulho, de pertencer à cidade”, explica Boldarini.

Segundo o arquiteto, os materiais usados na reurbanização são escolhidos de forma a aliar preço barato com qualidade e adequação ao que foi visto na comunidade. O uso da madeira é algo não usual em reurbanizações, mas Boldarini conta que teve a intenção de atender ao que via: crianças pulando na água, em um clima de praia.

O projeto deve ser concluído no fim deste ano. No total, serão 7 km de parque, unindo todo o complexo Cantinho do Céu. No entanto, a maior parte dos moradores já pode andar nas ruas asfaltadas e ficar despreocupada com as chuvas, já que a infraestrutura foi concluída em 90% do espaço.

Daniel Ducci
Novo conjunto habitacional da Favela Nova Jaguaré

O mais novo projeto para esse setor é o conjunto habitacional, no Jaguaré. Ele reúne 427 apartamentos e 132 casas sobrepostas, além de uma área comum de lazer e convivência. A primeira parte já está concluída e foi construída depois que a Prefeitura desapropriou uma área industrial de mais de 20 mil metros quadrados. A segunda parte já foi aprovada e deve ter início ainda em 2012.

Veja galeria de fotos do Cantinho do Céu e da Favela Nova Jaguaré:


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