Proibição de cachorro em shopping divide população

Não há lei que regulamente a entrada de animais em shoppings centers

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Que o cachorro é o melhor amigo do homem, ninguém nega. Mas quando o assunto é o local onde ele é bem-vindo, há controvérsias. O shopping é a mais nova delas. No último sábado, o Frei Caneca, localizado próximo à avenida Paulista, em São Paulo, fixou em sua entrada principal uma placa onde avisa que só é permitida a entrada de cães com até 40 cm de altura. Exceto cães guias, os demais estão proibidos de circular por ali. Caso tenham como destino o pet shop do piso inferior precisam entrar pela lateral.

[]Segundo a assessoria do empreendimento, a orientação sempre foi essa, mas como não havia nenhum aviso, muitos clientes reclamavam – e não cumpriam. Tido com um dos shoppings mais liberais da capital quando o assunto é a presença de animais, a restrição no Frei Caneca gerou polêmica. “É no mínino estranha. É como se algum lugar decidisse que só iria permitir a entrada de anões”, compara a economista Loide Carvalho, de 58 anos, enquanto olha roupas em uma vitrine e segura a coleira de sua yorkshire.

Arthur Nitta, dono do pet shop Bicho Sem Grilo, localizado no último piso do shopping, teme que, futuramente, a proibição tenha impacto no número de clientes. “Tem cão que é grande e dócil, a restrição é relevante. Mas, como sou inquilino do shopping, tenho que aceitar, né?!”, conforma-se.

Sentado em um banco brincando com o poodle Beethoven, o estudante Augusto Oliveira, de 13 anos, conta que, há cerca de três anos, deixou de levar a sua golden retriever Sofia no shopping porque ela cresceu demais. “Sempre teve restrição de tamanho, só que agora colocaram placa”, afirma. Ele, hoje, mora na Suiça e diz que lá é diferente: “pode em qualquer shopping, só algumas lojas que não”.

"Sem Catucha, não entro"

iG São Paulo
Cachorro com fralda em shopping de São Paulo
A dona de casa Lurdes de Palma Lobo, de 62 anos, passeava com a cadela Catucha e afirmou, indignada, ser “100% contra a proibição”. “Há uns quatro meses, estava com ela no colo e fui barrada no shopping Ibirapuera. Não volto mais lá de jeito nenhum”, diz e explica que, se Catucha não pode entrar, ela também não entra.

No entanto, a opinião de Lurdes não é unânime nem mesmo entre quem diz adorar cachorro. O enfermeiro aposentado Juan Patrício Silva, de 65 anos, tem quatro: dois poodles e dois da raça shih tzu, mas, preferencialmente, os deixa em casa. “Não gosto de levar a shopping ou parque, tem gente que não gosta de cachorro e não vou incomodar”, afirma. 

O cabeleireiro Jefferson Santana dos Reis, de 27 anos, explica que é adepto do “cada coisa tem o seu lugar”. “Acho uma falta de respeito trazer, eu gosto, mas nem todo mundo gosta. No salão enquanto trabalho é cachorro latindo... Incomoda”, diz.

A estudante de direito Ana Luíza Silva Cipriano, de 21 anos, diz que o tamanho do animal é indiferente. “O importante é que não faça sujeira”. E este é um dos maiores problemas dos shoppings que autorizam a presença de animais. No Frei Caneca e no Higienópolis, próximo dali, a determinação é clara: o dono é o único responsável pelo animal e é ele quem deve limpar as fezes e a urina. Porém, a funcionária da limpeza do Higienópolis Ana Maria Lima, de 38 anos, explica que, muitas vezes, isso não acontece. “Tem gente que faz de conta que não vê. Se é na entrada o segurança ainda pede para limpar, mas aqui dentro é difícil descobrir quem foi”, afirma. "Sobra para a gente”.

Legislação

De acordo com dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), há, atualmente, 711 shoppings no País e outros 100 previstos para serem abertos até 2012. Daqueles em funcionamento, 379 estão na região Sudeste e, 51, na capital paulista, que é disparada a cidade que mais possui empreendimentos do tipo no País.

A associação não tem dados sobre ocorrências envolvendo cachorros, nem as assessorias de shoppings. Não há nenhuma lei, porém, que obrigue os shoppings a aceitarem cachorros, gatos ou papagaios. Pela lei, a manutenção e o ingresso em estabelecimentos públicos ou privados de uso coletivo fica a critério da direção do lugar.

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