Professora é agredida por mãe de aluno, dentro de escola em SP

Genoveva de Araujo Soares foi agredida na segunda-feira depois de encaminhar o aluno que atrapalhava a aula para a diretoria

Fernanda Simas, iG São Paulo |

Na manhã da segunda-feira (13), a professora de ciências Genoveva de Araujo Soares, de 58 anos, foi agredida por uma supervisora de 35 anos, mãe de um aluno dentro da sala da diretoria, na Escola Estadual David Nasser, no Jardim Macedônia, Capão Redondo, zona sul da capital paulista. Ela conta ao iG que o garoto estava perturbando a aula e ela pediu que ele parasse. Como o menino não acatou o pedido, ela o encaminhou à sala da diretoria, onde ele recebeu um comunicado para levar aos pais.

Genoveva acredita que o aluno tenha ficado com medo de contar para a mãe o motivo de ter recebido o comunicado. “Para se defender, ele disse que eu o tinha agredido”, afirma. Segundo a professora, a mãe do garoto chegou à escola acompanhada do marido, da filha e do namorado da filha. “No corredor ela perguntou se eu lembrava do filho dela e eu respondi que sim. Aí ela começou a dar muitos murros na minha cabeça”, detalha.

Genoveva conta também que os familiares fizeram um círculo em volta dela e da agressora para evitar que outros professores interviessem na ação. “Me joguei no chão e puxei ela para cima de mim para impedir os movimentos dela [mãe do aluno]”, diz, acrescentando que nesse momento alguns professores conseguiram tirar a mãe de cima dela.

Indignada com a situação, a professora se defende. “Você acha que se eu fosse uma professora agressiva, que agredisse alunos, eu estaria na mesma escola desde 1990? Eu já não teria sido expulsa?”

Um termo circunstanciado (boletim de ocorrência feito em casos de menor potencial criminoso) de lesão corporal e desacato foi registrado no 47° Distrito Policial, de Capão Redondo.

A Secretaria Estadual de Educação afirma, em nota, que considera inaceitável a agressão sofrida pela professora. “Há quase 20 anos a educadora presta excelente serviço aos estudantes e é muito querida pela comunidade escolar, inclusive pelos moradores do bairro onde a unidade está instalada. É lamentável que uma mãe retribua com violência a atitude corretiva da professora quando seu filho apresenta comportamentos inadequados em sala de aula”, constata a nota.

Segundo a Secretaria, a professora deve ficar afastada de suas funções por tempo indeterminado para se recuperar física e emocionalmente e receberá acompanhamento da diretoria geral de ensino. “O conselho escolar vai se reunir ainda nesta semana para definir quais medidas punitivas deverão ser aplicadas ao adolescente”, ressalta. Além disso, a Polícia Militar providenciou reforço de equipes para garantir mais segurança aos professores, estudantes e funcionários.

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