Professor da Unesp deve ser ouvido sobre ameaça de mestranda

Advogado nega estupro, ameaças e fotos sensuais em pen drive. Aluna invadiu casa do professor com intenção de matá-lo

iG São Paulo |

A Polícia Civil de Ilha Solteira, a 669 km da capital paulista, deve ouvir ainda nesta semana Elerson Jardim Jr., professor do campus de Araçatuba da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), para saber se ele recebia algum tipo de ameaça da dentista Rosângela Conceição Mioti de Souza, sua aluna de mestrado. Ela, que queria matá-lo, o acusa de ameaça e estupro.

Armada com uma pistola 380, Rosângela invadiu a casa do professor na última segunda-feira, por volta das 9 horas. Como ele não estava, manteve refém a empregada Maria de Lourdes, de 52 anos, por cerca de 3 horas. Em uma distração da dentista, policiais conseguiram entrar no imóvel e contê-la. Ninguém ficou ferido.

Contudo, por pouco o caso não acaba em tragédia, já que, segundo o delegado Miguel Ângelo Micas, titular da delegacia de Ilha Solteira, a intenção da dentista era clara: matar o professor e depois se suicidar. “Ela estava determinada, com muito ódio dele. Dizia que ele tinha acabado com a vida dela e que ela não ia deixar assim”, afirma, em entrevista ao iG .

Rosângela é cirurgiã-dentista, tem 33 anos, é casada com um policial militar reformado e tem duas filhas, de 6 e 12 anos. Nunca teve nenhum tipo de passagem pela polícia. “Nada, nada, nada”, enfatiza o delegado. Agora, está presa na cadeia da cidade, acusada de cárcere privado e sequestro.

Os motivos que a levaram a ter uma atitude tão drástica ainda são controversos. De acordo com o depoimento dela dado ao delegado e informações passadas por seu advogado de defesa, Conrado de Souza Franco, Rôsangela se dizia vítima de constantes ameaças e abusos.

O caso, conforme a defesa, teria começado com um descuido. Ao entregar um pen drive ao professor para salvar um trabalho do curso, a dentista teria esquecido de apagar fotos sensuais em que aparecia com trajes mínimos. Elas teriam sido tiradas pelo próprio marido em um motel.

Ela diz, então, que o professor teria se negado a apagar as imagens e começado as investidas e ameaças, que duraram de fevereiro a dezembro de 2010. “Ele falava que iria entregar as fotos ao marido dizendo que ela havia dado a ele e que ninguém acreditaria nela se ela negasse”, afirma o advogado.

Rosângela diz ter sofrido inclusive estupros no período. Porém, apenas em janeiro deste ano, foi registrada uma denúncia na Delegacia da Mulher de Araçatuba, cidade vizinha. “Ela disse que demorou para denunciar porque tinha medo”, afirma a delegada Luciana Pistori Frascino.

O inquérito policial está em andamento e ainda não tem data para ser concluído. O professor, vítima no inquérito de Ilha Solteira e suspeito neste de Araçatuba, ainda não foi ouvido.

Elerson Jardim não quis dar entrevista sobre o assunto, mas o advogado de defesa dele, Emerson dos Santos, afirma que todas as denúncias são faltas. “É tudo invenção dela. Não há testemunhas. Não existem fotos, não houve ameaça nem constrangimento. Nunca tiveram nenhuma relação amorosa ou sexual”, afirma ele, que também nega que o professor tenha sofrido qualquer ameaça por parte da aluna.

O motivo para a dentista querer por fim à vida do professor é "desconhecido", na opinião de Santos “Pode ser que sentia uma atração por ele, que também é casado. Ou tem um desvio psicológico”.

Já Conrado Franco, advogado da dentista, defende que “se ela estivesse somente apaixonada não chegaria ao ponto que chegou”. “Ela sofreu uma atrocidade moral. Não teria por que inventar essa história e se expor dessa maneira”, considera.

A Unesp abriu uma sindicância interna e afastou o professor por 90 dias. Por meio de nota, a instituição diz que “a suspensão das atividades do docente visa a preservar a lisura dos procedimentos averiguatórios sem prejuízo do direito de ampla defesa do mesmo”. O computador de Jardim foi apreendido para análise e o resultado da perícia, ainda sem data para ficar pronto, pode ajudar na investigação.

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