Primeiro réveillon na Guarapiranga, em SP, já vira polêmica

Ambientalistas estão preocupados com a queima de fogos, que pode prejudicar a fauna da região

AE |

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Uma festa de réveillon gratuita, com shows de bandas famosas, barraquinhas de bebida e uma grande queima de fogos em um dos cartões-postais de São Paulo. Um evento para ninguém botar defeito, certo? Bem, quando o ponto turístico é a Represa do Guarapiranga - um dos mananciais mais importantes da Região Metropolitana e um dos poucos refúgios de vida silvestre na capital -, não é bem assim.

Moradores e ambientalistas estão preocupados com o primeiro réveillon organizado pela Prefeitura de São Paulo na orla da represa. O argumento é que o grande número de pessoas e a poluição sonora e visual nas festas em geral - que começaram a ser realizadas no local há 3 anos - poluem a represa e perturbam a fauna nativa.

A maior preocupação são os fogos de artifício: a Prefeitura promete um grande espetáculo, mas ambientalistas temem os efeitos nos animais silvestres, principalmente nas 270 espécies de pássaros.

"A Guarapiranga tem a maior concentração de aves e animais silvestres da cidade, sem contar os pássaros migratórios que chegam no verão. Você pode imaginar o dano ambiental que essa enorme queima de fogos pode causar onde os bichos se reproduzem", diz a diretora da organização não-governamental (ONG) Fiscais da Natureza, Ângela Alves.

De acordo com a organização, no palco, montado próximo a uma árvore de Natal com 360 metros e dois telões nas laterais, vão se apresentar Roger e Robson, Calcinha Preta, Nanda Bel, Padre Marcelo Rossi e a escola de samba Mocidade Alegre.

Para o isolamento da área serão utilizados 2,5 km de grades e 250 barricadas. Além do apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, 200 seguranças privados foram contratados. Serão disponibilizados 90 banheiros químicos, sendo 10 deles adaptados para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, que ainda terão à sua disposição uma área reservada próxima ao palco.

Regras

Os moradores dizem ainda que houve uma tentativa de criar uma comissão com a Prefeitura e estabelecer regras para realizar eventos no local - que incluiriam a proibição de fogos de artifício. Mas a comissão nunca saiu do papel. Segundo a Prefeitura, a comunidade montaria a comissão para dar prosseguimento aos entendimentos sobre eventos na Guarapiranga, mas nunca definiu os integrantes do grupo.

A Prefeitura não respondeu às perguntas sobre os possíveis danos ambientais. Segundo nota da assessoria, grades impedem a aproximação de pessoas nas margens. No fim da festa, equipes de limpeza cuidam da área. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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