Estabelecimento é um dos 13 imóveis emparedados com objetivo de melhorar a segurança; "Como minha pensão pode estar irregular?", questiona proprietário

Parte do extrato bancário de Jurandir dos Reis; em destaque, os R$ 600 pagos pelo Bolsa Aluguel
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Parte do extrato bancário de Jurandir dos Reis; em destaque, os R$ 600 pagos pelo Bolsa Aluguel
A Prefeitura de São Paulo pagou R$ 600 de Bolsa Aluguel a uma pensão localizada na Cracolândia e que foi interditada nesta terça-feira pela própria prefeitura por falta de alvará de funcionamento.

A pensão Nova Esperança, localizada na rua Helvétia, abriga cerca de 60 pessoas, na maioria trabalhadores de baixa renda, alguns com graves deficiências físicas. É um dos 13 imóveis emparedados e autuados pela Prefeitura nesta terça-feira com o objetivo, segundo o secretário das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, de melhorar a segurança no local.

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No dia 11 de janeiro, uma semana depois do início da operação da Polícia Militar na Cracolândia, a Companhia Municipal de Habitação fez dois depósitos de R$ 300 na conta poupança em nome de Jurandir Lopes dos Reis, dono do estabelecimento. O dinheiro é referente à Bolsa Aluguel de dois moradores da pensão. Segundo Reis, o estabelecimento chegou a receber cinco beneficiários do Bolsa Aluguel. Dois deles foram expulsos por problemas com drogas.

“Estou sendo condenado por uma coisa que não tem nada a ver comigo. Aqui moram famílias, crianças. Não permito o uso de drogas nos quartos”, disse Reis. “Como é que a minha pensão pode ser boa para o Bolsa Aluguel se está irregular?”, questionou.

No início da tarde desta terça-feira Reis foi surpreendido pelo auto da Secretaria das Subprefeituras assinado pelo agente visitador Marcio M. Melo decretando a interdição total do imóvel.

Prefeitura interdita pensão (parede laranja) que recebia Bolsa aluguel da própria prefeitura
AE
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“Fomos pegos de surpresa. A prefeitura já esteve aqui outras vezes e pediu alguns reparos. Fiz tudo sem reclamar. Nunca me pediram alvará. Agora eles vem aqui e mandam todo mundo embora. Para onde vai esse pessoal?”, perguntou Reis.

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Segundo a assessoria de imprensa da secretaria, a prefeitura fornece transporte gratuito aos moradores que tiverem para onde ir. Os demais serão levados para abrigos.

A Secretaria da Habitação informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que o programa recebido pela pensão chama-se "Parceria Social" e que é pago por 30 meses diretamente na conta do locatário.

Ainda de acordo com a secretaria, as duas famílias beneficiadas que vivem na pensão vão continuar recebendo o benefício até  final do prazo de 30 meses, que é contado a partir da assinatura do contrato. A secretaria não soube dizer a data do contrato das famílias da pensão, mas informou que um está começando e o outro, terminando.

Agora, as famílias precisam encontrar outro imóvel e repassar os dados. A secretaria disse ainda que não sabia sobre a situação do imóvel, que são fiscalizados pela pasta das subprefeituras.

Além da pensão Nova Esperança, foram interditados vários estabelecimentos comerciais como salões de cabeleireiros e depósitos de móveis. Os proprietários e frequentadores destes locais estavam entre os que mais elogiavam a ação da PM contra os usuários de crack.

A secretaria negou ter culpa no fato de beneficiários do Bolsa Aluguel morarem em um local supostamente impróprio. De acordo com a secretaria, os beneficiários não deveriam ter escolhido um imóvel irregular como moradia.

“O local deverá abrigar um equipamento público de combate às drogas, transformando-se num marco de luta contra a epidemia do crack”, disse o secretário Camargo em nota distribuída à imprensa.

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