Prédio de faculdade da USP segue ocupado

Após confronto com policiais, estudantes pedem a saída da Polícia Militar do campus da universidade. Aulas ocorrem normalmente

iG São Paulo |

O prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) segue ocupado por estudantes que invadiram o local na última quinta-feira (27), após um confronto violento com policiais militares que fazem a segurança do câmpus.

A ocupação, no entanto, não afeta as aulas na universidade. Nesta segunda-feira, a diretoria da FFLCH se reúne para discutir a ocupação. Já os estudantes devem fazer uma assembleia às 18h para decidir se deixam o prédio.

O grupo de estudantes que ocupa a administração da FFLCH pede o fim do convênio entre a da USP e a PM para atuação dentro do campus Butantã, na capital. Em nota, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirma que os policiais fazem abordagens nas entradas e saídas de prédios, entram em blocos didáticos sem justificativas e em entidades estudantis.

Na noite de quinta-feira, centenas de estudantes entraram em violento confronto com a polícia em protesto pela detenção de três estudantes que teriam sido flagrados fumando maconha no estacionamento.

A Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) afirma, em nota, ser contrária à ação da Polícia Militar no confronto. "A USP pode e deve se organizar de forma democrática, mostrando à sociedade que a importância do respeito à diversidade (que é uma característica da universidade) impõe o exercício da tolerância e não o do autoritarismo e da truculência".

A nota ressalta que é importante existir segurança no campus, mas que isso deve ser feito por profissionais treinados. "A USP pode e deve constituir e manter um contingente de funcionários que realize a segurança em seu território, devidamente preparado, formado por valores humanitários e democráticos para o convívio com a diversidade que a torna singular. Para tanto, é necessário que invista na formação de funcionários aptos a atuar nesse espaço, mostrando que casa educativa não é lugar de polícia", diz o documento.

Em nota publicada na sexta-feira (28), a reitoria da USP lamenta os “incidentes” ocorridos na quinta-feira e destaca que o convênio com a Polícia Militar foi uma decisão do Conselho Gestor do câmpus, tomada em 20 de maio deste ano, logo após o assassinato do aluno Felipe Ramos de Paiva , em uma tentativa de assalto. O Conselho Gestor é formado por representantes das unidades de ensino e pesquisa, institutos, museus, discentes e funcionários e compete a este grupo decidir pelo fim do convênio com a polícia.

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