Preço de remédio genérico varia quase 1.000% em São Paulo

Levantamento da Fundação Procon-SP foi realizado em drogarias das cinco regiões da cidade

AE |

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O preço de um mesmo remédio genérico pode variar quase 1.000% de uma farmácia para outra. Isso é o que mostra levantamento da Fundação Procon-SP realizado em drogarias da cidade de São Paulo. A maior diferença de valores encontrada foi no medicamento Diclofenaco Sódico (vendido como Voltarem, entre os de marca), 50 mg, na embalagem com 20 comprimidos. O maior preço foi R$10, na Farmácia Pague Menos na zona oeste, e o menor, R$ 0,92, na Drogaria Extra na zona sul - uma diferença de 986,96% ou R$ 9,08.

O mesmo produto, quando vendido com a marca Voltarem, chega a custar entre R$ 14,87 (Farma Conde na zona sul) e R$ 21(numa unidade da rede Farmais da zona oeste). No final, a diferença constatada pelo Procon-SP entre o genérico mais barato e o de marca mais caro chega a 2.282,60% (R$ 20,08).

Para Odnir Finotti, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), o fato de existirem grandes diferenças de preço entre os genéricos é um sinal da forte concorrência. "São 21 empresas que produzem o Diclofenato Sódico. Cada uma tenta oferecer melhores custos e condições às drogarias para que o seu produto chegue ao consumidor. Isso faz com que o mercado seja bastante competitivo e venha crescendo 32% ao mês, comparando ao ano passado", diz.

A pesquisa avaliou 52 medicamentos em 15 drogarias de médio e grande porte distribuídas pelas cinco regiões da capital, entre 13 e 15 de abril. "O resultado indica que o preço pode variar com o tipo da loja (física, virtual e por telefone), de acordo com a região, rentabilidade da loja, condições comerciais de compra, e outros fatores. Até mesmo lojas de uma mesma franquia podem ter preços diferentes. "Por isso, o consumidor precisa pesquisar", diz Shirley Pereira, técnica do Procon-SP.

O aposentado Francisco Iafelix, 80 anos, diz que ainda trabalha para poder arcar com os gastos com remédios, que variam entre R$ 600 e R$ 700 por mês. "Cada farmácia tem um preço. Além de buscar o menor, aproveito os descontos que elas oferecem na hora", diz.

Já a manicure Vanusa de Oliveira Santos gasta cerca de R$ 200 com remédios para o filho. "Já aconteceu de um remédio custar R$ 11 aqui no bairro do Limão e R$ 20 no Mandaqui. Antibióticos, como o Amoxil, são caros e os que mais têm diferença", conta.

De fato, o medicamento de marca Amoxil (Amoxicilina), da Glaxosmithkline, de 500 mg, com 21 cápsulas, apresenta a maior diferença de preço entre os produtos de referência. O maior valor foi R$ 49 ( Farmais da zona oeste) e o menor, R$ 20,86 (Pague Menos na zona oeste) - diferença de R$ 28,14 (134,90%). O mesmo produto, quando genérico, custava entre R$ 3,87 (Drogaria Extra na zona sul) e R$ 20,76 (Pague Menos na zona oeste) - uma discrepância de 436%.

O detalhe é que a diferença entre o genérico mais barato e o de referência mais caro é de 1.266,1%. Por outro lado, a variação é de apenas R$ 0,10 entre o genérico mais caro e o de marca mais em conta, ou 0,4%.

Em média, os genéricos são 57,25% mais baratos do que os de marca. Entre todos os estabelecimentos, a Farma Conde (na zona Sul) apresentou a maior quantidade de produtos com menor preço (37 itens dos 52 encontrados). A lista completa dos remédios está no site www.jt.com.br/seu-bolso.

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