População de São Paulo aprova cobrança por poluição de água

Pesquisa do Ibope Inteligência mostra que 88% dos entrevistados são a favor que empresas paguem por jogar dejetos na água

Márcio Apolinário, iG São Paulo |

A cobrança pela poluição da água é vista com bons olhos pela maioria da população de São Paulo. É o que aponta pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, que ouviu 1.008 pessoas na região metropolitana de São Paulo e foi divulgada nesta quinta-feira. Segundo o levantamento, 88% dos entrevistados são a favor que as empresas paguem proporcionalmente pelos dejetos derramados na água, enquanto outros 10% são contra à imposição de encargos às companhias por órgãos públicos.

Em entrevista ao iG , o prefeito de Mogi das Cruzes - cidade que detém aproximadamente 50% da água da região metropolitana de São Paulo -, Marco Aurélio Bertaiolli, afirmou que essa cobrança vai estimular as empresas a cuidarem da água que utilizam. "Até hoje, as 300 maiores empresas da região metropolitana, que utilizam cerca de 90% da água consumida pela capital paulista, se beneficiam da demora de um projeto de lei, de 1991, que trata da cobrança de encargos sobre o uso da água, que começou a sair do papel só agora em 2011. É muito tempo fazendo o que querem com a água. Mas agora isso acabou."

Entre os entrevistados que concordam com a cobrança, 84% acreditam que os recursos obtidos com os encargos do uso e poluição da água por parte das empresas colaborariam no aumento da disponibilidade da água e redução da poluição. Por outro lado, 13% não acreditam que os recursos trarão benefício à água.

Para os entrevistados, os governos estadual e municipal não se importam com a questão do meio ambiente. De acordo com a pesquisa, 58% diz que o governo do Estado dá pouca importância às questões relacionadas ao meio ambiente, enquanto o número para a administração municipal é de 54%. Quando questionados sobre a preocupação com o uso da água, 57% afirmam que o Estado não presta a atenção devida, enquanto 52% vêem descaso das prefeituras com relação ao recurso.

Ainda segundo a pesquisa, a diminuição no tempo de banho é apontada como a principal atitude para combater o desperdício de água, enquanto a otimização do uso da água ao escovar os dentes aparece como segunda medida mais eficaz.

O levantamento do Ibope mostra ainda que para 82% da população os hábitos de consumo influenciam muito a degradação do meio ambiente, enquanto 85% atribuem a deterioração ao desperdício ou poluição da água. Entre os entrevistados, a maioria vê como consequência, da degradação, a geração de lixo em excesso e a escassez e poluição dos recursos hídricos.

De acordo com a pesquisa, 79% da população não estaria disposta a conviver com mais degradação ambiental, como poluição, água de pior qualidade, perda de qualidade de vida, mudança do clima do planeta, mesmo que isso trouxesse mais empregos e desenvolvimento econômico.

"O grande objetivo deste estudo é popularizar a discussão sobre o uso adequado dos nossos recursos naturais. Nestas últimas semanas tem acontecido um grande debate sobre as fontes de energia - nuclear e petróleo-, porém temos que deixar claro que muito em breve teremos um grande problema de abastecimeto, caso não comecemos a usar adequadamente a água. Uma pessoa consegue passar três dias sem luz, por falta de energia elétrica, cinco dias sem usar o carro por falta de gasolina, mas ninguém consegue ficar dois dias sem beber água", afirmou Bertaiolli.

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