Policiamento reforçado não intimida e usuários se drogam na Cracolândia

No oitavo dia de operação, homens e mulheres são flagrados fumando crack em frente a bases comunitárias da PM e guardas civis

Carolina Garcia, iG São Paulo |

Carolina Garcia
Mulher é vista fumando crack a poucos metros de uma viatura da PM, nesta quarta-feira
A presença reforçada das forças policiais parece não intimidar os usuários de crack que ainda circulam as ruas do centro de São Paulo. No oitavo dia do combate ao tráfico e uso do crack na região da Cracolândia, durante a Ação Integrada Centro Legal, homens e mulheres foram flagrados pelo iG consumindo a droga a poucos metros de policias de bases comunitárias e da Cavalaria da PM.

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Mesmo com a chuva da manhã desta quarta-feira na capital paulista, os agentes militares continuavam posicionados com suas viaturas a cada esquina e a tropa da Cavalaria desfilava pelas ruas Helvétia, Barão de Piracicaba e alameda Dino Bueno. A quantidade de dependentes químicos pelas ruas é menor do que a encontrada na última segunda-feira (9) , porém o crack permanece forte e ainda é encontrado pelos seus usuários.

Na esquina da rua Helvética com a Dino Bueno, por volta das 12h, uma senhora preparava o crack para ser consumido. Posicionada a cerca 30 metros da usuária, a viatura da Polícia Militar e seus dois agentes não a impediram de fumar. Ali ela se preparou seu cachimbo e consumiu a droga em menos de 3 minutos.

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Não muito longe dali, na rua Barão de Piracicaba, havia um grupo de sete pessoas visivelmente debilitadas pelo uso da droga. Em meio a discussões, um deles permanecia concentrado para fumar o crack. Enquanto preparava o cachimbo e a pedra, uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM) passou pela rua. Nenhuma abordagem policial foi realizada e, como já visto em outros casos, os usuários permaneceram no local.

Demanda é alta

Agentes militares e guarda civis reforçaram ao iG que a situação está controlada na Cracolândia. Porém, segundo agentes próximos a rua Barão de Piracicaba, como a demanda permanece alta, é normal que alguns usuários ainda consigam encontrar e utilizar o crack.

Carolina Garcia
Usuários não se intimidam com viaturas. No canto esquerdo, viciado usa crack na Barão de Piracicaba

A pedido da GCM, a reportagem forneceu a localização dos usuários. Os agentes afirmaram que fariam a abordagem policial “o mais rápido possível”. Se pego em flagrante ou portando a droga, o usuário deve ser levado ao DP mais próximo. Porém, após 10 minutos, os guardas ainda permaneciam ao lado da viatura, na alameda Glete.

Migrações

Essa é a primeira parte da operação que busca livrar vias como a rua Helvétia e as alamedas Glete, Dino Bueno e Cleveland do livre comércio e uso do crack, consumido nas calçadas ou casarões e terrenos invadidos da região. Após essa fase virão os maiores desafios para a operação, que será tratar os usuários e impedir a criação de novos pontos de consumo da droga na capital paulista.

Após o início da ação na Cracolândia, grupos menores de usuários são vistos vagando por ruas do centro da capital . A população de dependentes químicos em pontos do bairro de Santa Cecília, também no centro, mas a cerca de 2 quilômetros da ruas principais da Cracolândia, foi agravada nesta última semana com a migração dos usuários.

Na segunda-feira (9), quando a ação entrou no sétimo dia, cerca de 30 jovens e adultos consumiam crack livremente na avenida São João. O novo cenário da avenida, na altura da rua Apa, assusta comerciantes da região que já sentem reflexo nas vendas e lidam com a sujeira a agressividade dos novos vizinhos.

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