Policial: "Eu estou vivo e matei a Eloá", disse Lindemberg ao ser rendido

Tenente do Gate que comandava a equipe que invadiu apartamento de Eloá afirmou que invasão foi frações de segundo depois de tiro

Carolina Garcia, iG São Paulo |

O tenente do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) Paulo Sérgio Schiavo deu detalhes do momento da invasão do apartamento em que Eloá Pimentel era feita refém, em outubro de 2008. Schiavo prestou o último depoimento das testemunhas do julgamento de Lindemberg Alves .

AE
Plenário da sessão do júri de Lindemberg Alves
O policial participou durante três dias da operação, no dias 14, 15 e 17 e chefiava a equipe que ficou no apartamento ao lado do cárcere e que seria responsável pela invasão do local. Segundo Schiavo, cinco agentes participaram da ação. O primeiro era chamada de escudeiro, e era responsável pela explosão na porta de entrada do apartamento. O segundo, na retaguarda, tinha armamento com munição de borracha. O terceiro policia carregava uma submetralhadora .40 e o quarto era responsável pelo arrombamento mecânico, caso o explosivo falhasse. O quinto policial era Schiavo, que comandava a ação e estava na retaguarda.

Sobre a invasão, Schiavo disse que o sargento Magalhaes atirou com bala de borracha contra Lindemberg e fez a detenção dele. Ele repetiu depoimentos anteriores e disse que Lindenberg "não obedeceu a ordem de deitar e foi rendido em pé”, após largar a arma. "Após ser rendido, Lindemberg repetiu de maneira eufórica: 'Eu estou vivo e matei a Eloá. Estou vivo e matei a Eloá'”, disse.

O depoimento do policial serviu para reconstituir a dinâmica das equipes do Gate no apartamento ao lado. A conversas eram escutadas pela parede, usando um estetoscópio e um copo. “Não ouvi nenhuma conversa amigável. Em alguns momentos podia escutar Eloá pedido para parar de apanhar, além de muita gritaria e choro", disse.

Schiavo afirmou que tinha ordem de invadir o apartamento, já que havia risco insuportável para a refém. Mas quando questionado quais eram esses riscos, ele não soube dizer. “Não sei precisar quais sinais indicavam que a negociação estava infrutífera, mas recebemos a ordem do comando de risco". Mesmo assim, o tenete disse que a invasão só foi feita após um disparo. "O disparo foi primeiro, frações de segundo antes da explosão”, reafirmou.

Questionado pela defesa sobre a explosão da porta do apartamento, o policial afirmou que eles sabiam que havia uma barricada atrás da porta. “Não existia alternativa de potencializar o explosivo. Isso traria perigo às vitimas e atraso na invasão, já que utilizando um explosivo mais potente o grupo teria que ficar mais afastado."

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Imagens:
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