Policiais são acusados de matar motoboy em SP

Quase um mês após a morte do motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos, policiais são acusados de outro crime semelhante na zona sul

iG São Paulo |

nullPoliciais Militares de São Paulo são acusados, mais um vez, de agredir e matar um motoboy na cidade. A ocorrência é registrada quase um mês depois da morte do motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos , de 30 anos.

Segundo a família, Alexandre Menezes dos Santos, de 25 anos, deixou a pizzaria onde trabalhava por volta das 2h de sábado e seguiu para a casa de um primo. Na volta, a 200 metros da casa onde mora, na rua Guiomar Branco da Silva, em Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, foi abordado por policiais porque a moto que usava estava sem placa. Ele teria ignorado o alerta e seguido até a residência.

Ali, a mãe de Alexandre, Maria Aparecida Menezes, diz que viu o filho ser espancado e enforcado sem oferecer qualquer tipo de resistência. Ele foi encaminhado ao Hospital Sabóia, mas não resistiu e morreu. O corpo foi enterrado no domingo no Memorial Parque das Cerejeiras.

Outro lado

Já a Polícia Militar diz que, além da moto Honda/CG não ter placa, o jovem transitava em alta velocidade e pela contra mão. No depoimento à polícia, os PMs envolvidos no caso alegaram que Santos, ao ser abordado, entrou em luta corporal com os soldados, que pediram o reforço de mais dois homens.

Segundo informações do Boletim de Ocorrência (BO), um dos policials aplicou uma gravata no motoboy na tentativa de imobilizá-lo, mas ele teria conseguido se desvencilhar. Então, outro golpe foi dado. Santos perdeu os sentidos e desmaiou, morrendo pouco tempo depois.

Policiais disseram que, ao colocar o motoboy na maca do pronto-socorro, encontraram uma pistola calibre 357 na cintura dele. Já a família diz que ele nunca teve arma e que regularizou a situação da moto na semana passada e faria o emplacamento na terça-feira.  

Por meio de nota, a Polícia Militar disse que, diante do uso excessivo de força física dos policiais militares, os autuou em flagrante delito por homicídio culposo. O caso foi registrado no 43º DP da cidade. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que os quatro policiais pagaram fiança, mas não soube dizer se eles já foram liberados. A PM também ainda não confirmou a informação.

Polícia violenta

Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo na semana passada revelam que a Polícia Militar do Estado matou 40% mais pessoas em ocorrências registradas como confrontos no primeiro trimestre deste ano do que em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e março de 2010 foram 146 mortes, contra 104 mortes no mesmo período de 2009.

Nos últimos 12 meses, período que coincide com o início da gestão do secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, que assumiu o cargo em março do ano passado, o número de mortes provocadas por policiais militares em serviço foi 54% maior do que nos 12 meses anteriores, na gestão de Ronaldo Marzagão.

Mesmo com o maior número de mortes de civis em confronto com a Polícia Militar, os números de homicídios não caíram no Estado. Na comparação entre o início de 2009 e 2010, o número de homicídios no Estado registrou uma leve alta. No relatório estatístico divulgado pelo SSP, foram registrados 1.224 homicídios no primeiro trimestre deste ano. Em 2009, foram 1.143, pouco a mais que em 2008, quando foram registradas 1.135 mortes de janeiro a março.

“Se polícia matando resolvesse, o Rio de Janeiro seria um paraíso. A Polícia do Rio de Janeiro é disparado a que mais mata no Brasil e a gente sabe que isso não resolveu a situação. Em São Paulo mesmo, no início da década de 90, matava-se cerca de 1.500 por ano. Conseguimos reduzir a 300, que é um número alto, mas para os padrões brasileiros foi uma conquista”, afirmou Denis Mizne, diretor-executivo do “Instituto Sou da Paz”.

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