'Polícia tem 50% de culpa na morte da minha filha', diz mãe de Eloá

Ana Cristina Pimentel afirmou que a polícia deu esperança dizendo que jovem sairia viva do cárcere. Réu confesso, Lindemberg foi condenado no último dia 16

Carolina Garcia, iG São Paulo |

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Ana Cristina Pimentel durante coletiva de imprensa nesta segunda, em São Paulo
Passado o julgamento de Lindemberg Alves, condenado no último dia 16 a quase 99 anos de prisão pela morte de Eloá Pimentel, Ana Cristina Pimentel, mãe da jovem, concedeu uma entrevista coletiva nesta segunda-feira. "A polícia tem 50% de culpa na morte da minha filha. Eles tiveram chances de tirar Eloá viva de lá e não tiraram”, disse Ana Cristina avaliando a atuação dos agentes do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) durante o cárcere privado mais longo do País.

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Ana Cristina criticou fortemente a posição dos policiais durante as negociações com Lindemberg. “Ele [Lindemberg] falava que ia matar minha filha. Eu sentia isso [a possível morte de Eloá] no meu coração, mas em todos os momentos a polícia me dava esperança dizendo que iria trazê-la viva para mim”.

A parcela de culpa da Polícia Militar também é questionada pelos advogados da família de Eloá. Como informado pelo iG , a família entrou com um processo de indenização por dano moral contra o Estado de São Paulo ao considerar que houve negligência por parte da polícia. O valor da ação não foi divulgado.

Em diversas oportunidades, durante a coletiva, Ana Cristina não escondeu o semblante de alívio e o sentimento de justiça com a condenação de Lindemberg. “Hoje estou bem. Voltei a trabalhar e vivo minha vida. A partir de hoje só quero lembrar os momentos bons que tive ao lado da Eloá”, diz sorrindo e agradecendo o trabalho da imprensa e dos advogados durante o caso.

Relembre: Lindemberg Alves é condenado a 98 anos e dez meses de prisão

Atualmente, Ana Cristina trabalha como recepcionista em um pronto-socorro da cidade de Santo André. Frequentemente reconhecida por populares durante seu trabalho, ela disse que o apoio que tem recebido de desconhecidos é "lindo e sincero”. Ana Cristina acrescentou que a presença de “novos filhos” em sua vida, como os receptores dos órgãos doados de Eloá , é essencial. “Quero estar próxima deles. Nada desse carinho substituirá minha filha, mas ameniza”.

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Ana Cristina Pimentel com Emerson Gentil, de 28 anos. Ele recebeu o pâncreas e rim de Eloá


Pedido de perdão

Questionada sobre um possível sentimento de culpa de Lindemberg, Ana Cristina disse não crer em um arrependimento sincero. “Ele teve mais de três anos para me procurar. Poderia escrever uma carta ou pedir para alguém da família me dar o recado, mas não o fez”.

Para a mãe de Eloá, o pedido de perdão no início do depoimento de Lindemberg pode ter sido uma estratégia da defesa para “sensibilizar os jurados”. Durante a entrevista, ela disse que o condenado “mentiu em tudo” em seu interrogatório.

“A única coisa em que não mentiu foi quando disse que atirou na Eloá.” Segundo ela, Lindemberg mentiu, inclusive, quando citou que sua filha havia reatado o namoro pouco tempo antes do ocorrido. “Ela tinha medo dele já por ficar passando na porta da escola. Ela queria distância dele”, explicou. “Ele pode sair hoje da prisão. Não temos medo dele. Só espero nunca encontrar com ele na rua”, concluiu. 

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Imagens:
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