Polícia retoma buscas por adolescente desaparecida em Guarulhos

Bruna Tadim, de 16 anos, sumiu no dia 29 de dezembro. Mãe lamenta os trotes: "Disseram até que ela estava na represa da Mércia"

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Arquivo pessoal
Bruna Tadim, de 16 anos, desapareceu no dia 29 de dezembro após sair para encontrar amigo
A Polícia Militar de Guarulhos (SP), os Bombeiros e o Gupo de Operações Especiais (GOE) retomaram, nesta sexta-feira, as buscas por Bruna Tadim, de 16 anos, desaparecida no dia 29 de dezembro após deixar a casa da família para encontrar com ex-colega de escola M., que lhe prometia emprego.

As buscas foram interrompidas ontem por conta de alagamentos que impediriam a observação de pistas ou até de um eventual corpo. Nesta sexta-feira, com auxílio de cães farejadores, equipes vasculham matagais no Parque Cecap, onde mora M., 17 anos, ex-colega de classe de Bruna e tido como suspeito pelo seu desaparecimento. A falta informações sobre a filha é, ao mesmo tempo, angustiante, mas também o que mantém as esperanças na mãe da adolescente, Celma Maria Tadim. "Graças a Deus não achou nada. Rezo para não achar nada, que ela esteja por aí, viva", diz, em conversa com o iG .

Paralelamente às buscas da polícia, a família tem colado cartazes com fotos e informações da garota pela cidade. O problema, lamenta a mãe, é a quantidade de trotes recebidos desde então nos telefones divulgados. "Ontem, ligaram e minha mãe que atendeu. O rapaz dizia: ' eu tô com ela aqui na represa, onde deixaram o corpo da Mércia (Nakashima), ela tá viva' (SIC)", conta. O namorado de Bruna e tios rapidamente se dirigiram até a cidade de Nazaré Paulista, onde o corpo da advogada Mércia foi achado no dia 11 de junho de 2010, mas nada encontraram. As informações eram todas falsas. "Só fica pior, minha mãe quase desmaiou", diz Celma.

A Polícia Civil de Guarulhos e a Secretaria de Segurança Pública (SSP) evitam passar informações sobre o caso, alegam que é para não prejudicar as investigações. O chefe do setor de homicídios de Guarulhos, que preferiu ser identificado apenas como Antoneli, diz que a prioridade é encontrar algum vestígio que leve a Bruna e que nenhuma possibilidade está descartada. Inclusive, que ela seja encontrada com vida. "Não estamos investigando um homicídio", diz. Pelo menos 10 pessoas já foram ouvidas, segundo o investigador, incluindo o próprio M. e amigos dele. "Ele nega completamente", afirma. 

nullDesaparecimento e suspeitas

No dia 29 de dezembro, por volta das 20h, Bruna saiu de casa, no bairro Jardim das Nações, em Guarulhos, para encontrar com M. Os dois estudaram juntos na 8ª série e, mesmo após Bruna trocar de escola, continuavam mantendo contato via msn e Orkut.

Segundo a família, duas semanas antes do desaparecimento, ele lhe prometia um emprego de vendedora em uma loja de cosméticos da tia, no shopping. Antes de sumir no último dia 29, Bruna recebeu um telefonema dele, conforme diz a avó, Aparecida Sueli Tadim, de 60 anos, pedindo para encontrá-lo. "Eu ainda falei: 'Bruna, por que não deixa para ir amanhã?' e ela perguntou para ele se podia, mas ele disse que teria que ser naquele dia, para ela assinar um documento, e poder começar a trabalhar no outro", afirma. A adolescente pegou um ônibus e prometeu voltar rapidamente, mas, desde então, não foi mais vista.

Mãe, avó e amigas dizem ter descoberto que M. já aplicou este mesmo golpe em outras meninas e teria passagem pela Fundação Casa (antiga Febem). "No dia 6 de dezembro uma menina também de 16 anos disse que foi encontrá-lo após a mesma história e foi estuprada", afirma Julianne Veras, de 25 anos, irmã do namorado de Bruna e amiga da família. A jovem já teria prestado depoimento na delegacia sobre o caso. Uma outra adolescente da região também teria sido ouvida, após receber a mesma proposta de emprego, mas, por desconfiar, teria negado.

M. segue solto e a polícia não confirma nenhuma das informações passadas pela família à reportagem. Antoneli admite, porém, que "as conclusões sobre autoria estão direcionadas" e diz que as buscas irão continuar. Computadores e celulares foram apreendidos para perícia.

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