Ao menos 60 pessoas foram diagnosticadas com a presença de mercúrio no sangue após contaminação no interior de São Paulo

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Todos os cerca de 15 dentistas de Primavera, distrito de Rosana, no extremo oeste de São Paulo, serão ouvidos pela polícia sobre o descarte de 15 frascos de mercúrio metálico em um terreno baldio. Ao menos 60 pessoas, incluindo 50 crianças e adolescentes, foram contaminadas. Os dentistas usam o produto para obturar dentes .

"Alguns dentistas já foram intimados, ainda não há data marcada para os depoimentos", afirmou o delegado Antenor Brolezzi da Trindade, do 1º Distrito Policial de Primavera. Além dos dentistas da região, o delegado não descarta ouvir também profissionais de Mato Grosso do Sul e Paraná, que trabalham em cidades perto da fronteira com São Paulo. "Essa hipótese também será investigada", disse. 

Desde sexta-feira, 58 das 60 vítimas estão em tratamento com remédios, o que terá a duração de dez dias. "De um grupo de 106 pessoas entrevistadas para ver se necessitavam de exames, foram confirmados 60 pacientes com a presença de mercúrio no sangue", disse David Rodrigues, secretário municipal de Saúde, que chamou de criminoso o descarte do mercúrio. As duas vitimas mais graves são as irmãs Setefani Monteiro, de 3 anos, e Ketlin Monteiro, de 2 anos, que apresentaram uma contaminação maior. Elas ficaram oito dias internadas em Campinas, onde foram medicadas, e voltaram para Primavera no começo de outubro. 

"A Lolô (Ketlin) tem infecção nos rins", queixa-se a agricultora Eva Monteiro, de 61 anos, avó das meninas que, junto com outros quatro irmãos, encontraram a sacola com os 15 frascos de mercúrio no dia 21 de junho em um terreno baldio com plantação de eucaliptos. "O terreno fica a 20 metros da minha casa e da casa do meu filho", disse Eva. "A minha família inteira foi contaminada, são 14 pessoas, eu sinto dores de cabeça, o tratamento não é o ideal", reclamou. 

As casas das duas famílias foram interditadas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A interdição foi necessária porque as crianças levaram os tubos de mercúrio para casa e começaram a brincar. O mercúrio foi jogado nas paredes e, depois, levado para a Escola Estadual Primavera, onde contaminou vários alunos. Constantemente invadida, a área, que foi interditada e o dono ainda é desconhecido, está localizada perto de um terreno municipal onde a prefeitura deposita entulho, como restos de material de construção e galhos de árvores. 

Lixo hospitalar e mercúrio metálico já foram encontrados no terreno. "O terreno não é o lixão, que fica a cinco quilômetros de Rosana", disse o secretário. A Cetesb, depois de multar a prefeitura em R$ 82 mil, não detectou contaminação na área onde as crianças acharam o mercúrio. "Com o tempo, o mercúrio evapora", explicou Rodrigues.

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