Polícia ouve pais de criança que pode ter atirado em Miguel

Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, foi baleado dentro da sala de aula em Embu, na Grande São Paulo

Márcio Apolinário, especial para o iG |

AE
Um policial e um funcionário entram no pavilhão onde fica a sala de aula onde um menino foi baleado
A Polícia Civil de Taboão da Serra ouviu nesta sexta-feira os pais do menino que pode ter feito o disparo que matou o menino Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, baleado na última quarta-feira no Cólegio Adventista de Embu, na Grande São Paulo.

No depoimento, os pais do menino afirmaram que não possuem arma em casa. Também disseram que não acreditam que o filho possa ter levado uma arma para a escola.

De acordo com a perícia, que analisou o corpo do menino e suas roupas, a arma que efetuou o disparo seria muito antiga e poderia ter disparado acidentalmente. A arma ainda não foi encontrada pela polícia. Sabe-se apenas que o projétil que atingiu Miguel era de  calibre 38 e que a bala não atravessou o corpo da criança.

O pai de Miguel, Dênis Winston Ricci, foi até à delegacia na noite desta sexta-feira e afirmou que está satisfeito com o trabalho da polícia. Ricci também criticou o colégio por não ter um sistema de câmeras de segurança, o que, segundo ele, já poderia ter esclarecido o que aconteceu no dia do crime.

Outro caso

Alunos do Colégio Adventista já tiveram contato com munições em outras ocasiões. Em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira, Célia Burin, avó de Gustavo, estudante do mesmo colégio que Miguel, disse que um dia o neto chegou em casa com uma bala no estojo. O caso aconteceu em agosto.

De acordo com Célia, o garoto mostrou o projétil à família, mas disse que não sabia quem tinha escondido no material escolar dele. "Mandei uma carta para a professora dizendo para que verificassem quem tinha colocado a bala dentro do estojo dele, pois ele não sabia. A professora me respondeu que o caso seria averiguado”, disse ela.

Nesta tarde, Célia chegou para prestar depoimento na Delegacia Seccional de Taboão da Serra, onde a morte de Miguel é investigada, e, novamente, falou sobre o caso. "O Gustavo chegou a mostrar a bala para a professora, ela olhou e falou para ele jogar no lixo. Não deram importância. É claro que eu liguei o fato ao outro. Se escola tivesse dado a devida atenção a este primeiro 'alerta', talvez pudéssemos ter evitado esta tragédia", lamentou. 

Gustavo estuda à tarde, enquanto Miguel é aluno da manhã, mas disse que os dois se conheciam e encontravam na troca de turma. A criança, que foi à delegacia com os avôs, também conversou com jornalistas e disse que, quando viu a bala, foi orientado pela professora a jogá-la. No entanto, disse que quando foi fazer isso outro colega quis pegar. Então, ele teria guardado de volta no estojo e levado para a casa. Este amigo de Gustavo teria sido transferido há pouco tempo para o período da manhã.

O avô de Gustavo, Nivaldo Burin, comentou que, no momento da matrícula, todos os pais e alunos são obrigados a assinar um Código de Ética, no qual está especificado que nenhum tipo de arma branca ou objeto que possa ferir alguém pode entrar nas dependências do colégio. “Os pais são obrigados a seguir, mas, neste caso, houve negligência e deu no que deu", disse.

Depoimento de funcionários

O delegado Carlos Eduardo Ceroni ouviu o depoimento de funcionários do Colégio Adventista hoje.  “Não dá para dizer quantas pessoas, mas garanto que boa parte das pessoas que estavam no colégio durante o ocorrido serão ouvidas", disse o delegado, acrescentando que também pretende ouvir os colegas de classe de Miguel. O tiro que atingiu o menino era de uma arma calibre 38 e foi disparado de curta distância .

O advogado do Colégio Adventista, Lélio Lellis, esteve na delegacia e disse que a escola "está prestando todos os esclarecimentos para que o caso seja solucionado". Questionado sobre a limpeza do local do crime, ele não quis se pronunciar. "Todos os detalhes estarão nos autos de inquérito. Por enquanto, não há nada a ser dito", afirmou.

Esta, porém, não é a opinião de familiares do garoto que, na quinta-feira, acusaram a escola de negligência. "Eles (escola) querem abafar o caso", considerou Daniello Passos, tia materna da criança, que acrescentou estar inconsolável. "O sentimento é de revolta. Eles (escola) ainda não falaram, talvez porque não querem ou porque não podem”.

Rosa Ricci, outra tia de Miguel, também considera que o colégio não socorreu o sobrindo da forma mais adequada. O estudante foi levado pelo diretor da Escola ao Family Hospital que em Taboão da Serra, que é onde a escola mantém convênio. “Foi negligência do colégio”, disse ela, acrescentando que "a família não quer vingança, mas quer justiça.

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