Polícia Militar prende 36 pessoas durante operação na Cracolândia

PM realizou 1.335 abordagens. Mais de 30 toneladas de lixo foram recolhidas na região durante quatro dias de operação

iG São Paulo |

O mais recente balanço da Polícia Militar, divulgado nesta às 17h deste sábado, aponta que 36 pessoas foram detidas na região da Cracolândia, no centro de São Paulo, desde o começo da Ação Integrada Centro Legal, na última terça-feira (3). Segundo relatório, foram realizadas 15 prisões por tráfico ou receptação de drogas. Outros 21 condenados da Justiça foram recapturados. Todos foram encontrados durante as 1.335 abordagens policiais. O balanço contabilizou ainda 80 abordagens sociais e cinco encaminhamentos para hospitais.

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AE
Homem dorme em um canteiro neste sábado durante operação policial no centro de São Paulo
Foram realizadas 214 abordagens de agentes de saúde e doze pessoas foram encaminhadas para serviços de saúde. O trabalho de limpeza da região também foi contado. Até o momento, cerca de 30 toneladas de lixo foram retirados da região.

A ação policial entrou neste sábado no seu quinto dia e, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), atinge a estratégia do tráfico de drogas na região. “Estamos quebrando a estrutura logística do tráfico”, afirmou o coronel Pedro Borges, comandante do Comando de Policiamento de Área Metropolitano 1 (CPA/M-1), responsável pelo centro da capital. Vizinhos das regiões centrais de São Paulo reclamam que os usuários de drogas que ficavam concentrados na Cracolândia se espalharam para outros pontos levando medo a quem mora em outras regiões.

OAB-SP

A opinião do presidente da Comissão de Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Arles Gonçalves Júnior,  é que a operação policial na Cracolândia está sendo bem-sucedida na medida em que age sobre o principal problema da região, que é a concentração de dependentes de crack em determinadas ruas do Centro da capital paulista. "Com a pulverização, a periculosidade fica menor".

Para ele, a ação optou pela dispersão dos viciados e foi "a mais adequada para o momento", visto que o índice de criminalidade naquela região da Luz aumentou nos últimos meses. "De uma forma ou de outra, isso obrigará outras áreas do Estado a tomarem alguma atitude", argumentou. "Não dava mais para aguardar o aparelhamento do Estado para que então houvesse uma ação conjunta entre polícia e assistência social - o que seria mais eficiente."

O presidente da comissão da OAB já enviou mensagem ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Batista Camilo, parabenizando a corporação "pelo brilhante trabalho realizado na operação".

Três fases

Segundo Camilo, a ação na Cracolândia terá três fases. A primeira é a atuação da polícia contra o tráfico de drogas em conjunto com uma operação de zeladoria da prefeitura em casarões e ruas, de onde já foram retiradas 7,5 toneladas de lixo. Em uma segunda etapa, a ação ostensiva da PM, na visão de Prefeitura e Estado, vai incentivar consumidores da droga a procurar ajuda. Na terceira fase, a meta será manter os bons resultados.

A PM estima que em 30 dias, após a prisão de traficantes e o restabelecimento da ordem na região, a segunda fase tenha início, com a participação de assistentes sociais e agentes de saúde que farão o encaminhamento dos dependentes químicos para albergues, AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) e, se preciso, internação para tratamento e reinserção social.

*com AE

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