Polícia encontra sangue de vítima na casa de filha em Alphaville

Wilson Tafner e Tereza Cobra foram mortos em outubro em condomínio de São Paulo. Filha e genro foram denunciados e estão presos

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

A Polícia Civil de Carapicuíba, na Grande São Paulo, denunciou, nesta quarta-feira, a advogada Roberta Tafner, de 29 anos, e o marido dela, Willians de Sousa, de 33 anos, por homicídio triplamente qualificado, (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas). Eles estão presos e foram acusados de assassinar os pais dela, o empresário Wilson Roberto Tafner, de 68 anos, e a advogada Tereza Maria Nogueira Cobra, de 60 anos. O inquérito foi concluído e enviado ao Ministério Público.

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Roberta Tafner deixando a Delegacia Seccional de Carapicuíba nesta quarta-feira
Wilson Tafner foram assassinados no dia 2 de outubro em casa, localizada no Condomínio das Acácias, em Alphaville, em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. O empresário recebeu dez facadas, enquanto a advogada levou 18, principalmente no rosto e cabeça.

De acordo com o delegado Zacarias Katzer Tadros, da Delegacia Seccional de Carapicuíba, responsável pela investigação, a principal prova contra o dois e de que no banheiro da casa deles foi encontrado sangue de Tereza. Para a polícia, isso mostraria que Willians foi ao local se lavar após o crime. “A principal prova é esse DNA”, afirmou.

Dos 12 laudos solicitados pela polícia, três estão prontos e foram juntados a investigação. Trados afirma que Willians foi o executor dos assassinatos e entrou sozinho na casa dos sogros. “Roberta é o álibi de Willians. Ele se apega a ela, que diz que estava com ele. Ela está o encobrindo, omitindo a verdade que julgamos que saiba”, disse.

A polícia pediu a prisão temporária, de cinco dias, dos acusados, mas diante dos indícios, a Justiça concedeu a prisão preventiva, de 30 dias. Roberta e Willians foram presos por volta das 7h desta quarta-feira e prestaram depoimento ao longo do dia. Eles deixaram a delegacia por volta das 16h50 sem dar qualquer tipo de declaração.

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Willians de Sousa, genro do empresário Wilson Tafner e da advogada Tereza Cobra, acusado do crime
Conforme o delegado, os dois negam participação no crime. Contudo, a polícia afirma ter encontrado pelo menos 20 pontos de contradição entre o depoimento deles e as provas colhidas, como a quebra do sigilo telefônico. “São coisas que perguntamos e que eles não poderiam esquecer. Tudo o que falam, em 70% a gente dá a contraprova”, enfatiza o delegado.

Na casa das vítimas foram apreendidas três facas, sendo que uma delas tinha o cabo quebrado. A análise dos objetos ainda não está pronta, mas pode trazer mais provas como impressões digitais do autor do crime. Outro indício, segundo a polícia, é que uma pegada encontrada na cena do crime é do mesmo tamanho e com um solado similar a um sapato de Willians.

Roberta foi levada para a cadeia de Itapevi, enquanto o marido seguiu para a Cadeia Pública de Carapicuíba.

Em entrevista concendida ao iG no dia 4 de novembro, o delegado já havia afirmado que existiam "fortes evidências" contra os dois .

Coisas de valor não foram roubadas, o que fez a polícia descartar a hipótese de latrocínio. "Não foi subtraído nada de valor da casa. Tinha um netbook em cima da mesa e mil e poucos reais no bolso do Wilson. Nada foi levado. Os criminosos foram exatamente para matá-los” afirma Trados. “Foi um homicídio planejado”.

Segundo Tadros, a motivação do crime seria patrimonial. Os dois tinham bens, imóveis e um seguro de vida de R$ 1 milhão que beneficiaria Roberta. Pouco antes do crime, Roberta e a mãe haviam brigado por conta do desaparecimento de dinheiro do escritório onde trabalhavam e estavam sem se falar. A filha teria começado então a pedir 30% das empresas do pai.

O crime

Mesmo divorciados, Wilson e Tereza mantinham um bom relacionamento. Na noite do dia 1º de outubro, uma sexta-feira, haviam jantado na casa de amigos. Ao voltar para casa, por volta de 0h15, foram atacados. Wilson já estava na cama quando foi morto com dez facadas no rosto e uma na cabeça. Ele também tinha uma fratura em um osso do pescoço e, segundo o delegado, se não morresse pelos golpes, morreria sufocado.

Arquivo pessoal
Wilson Roberto Tafner e Tereza Maria Nogueira Cobra foram mortos a facadas
Tereza, que dormia no quarto ao lado, ao ouvir os gritos do ex-marido, levantou e também foi recebida com facadas. “Tudo indica que foi uma ação rápida e que Tereza reagiu violentamente, lutou com o agressor. Ela tinha cortes nas mãos”, explica o delegado.

A brutalidade dos assassinatos impressionou até mesmo investigadores e o delegado, acostumados a lidar diariamente com casos de violência. “O criminoso queria desfigurar as vítimas. É próprio de um crime por vingança ou raiva”.

Depois da chegada da polícia e antes da realização da perícia a cena do crime foi alterada, de acordo com o delegado. A informação é baseada em fotos feitas por policiais. “Willian e Roberta determinaram que os empregados lavassem o local e ateassem fogo nos objetos com sangue”, disse Tadros.

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