Polícia apreende alimentos vencidos em restaurante acusado de racismo em SP

Pizzaria Nono Paolo é investigada desde o último dia 3 quando um funcionário teria expulsado um menino espanhol ao confundi-lo com um menino de rua

iG São Paulo |

Mauricio Camargo/Futura Press
Fachada da pizarria na Vila Mariana onde teria ocorrido o caso no dia 3 de janeiro
Os policiais civis da 2ª Delegacia de Saúde Pública, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), apreenderam nesta manhã uma grande quantidade de alimentos vencidos na cozinha do Restaurante Nono Paolo - acusado de racismo no último dia 3.

A pizzaria está localizada na rua Abílio Soares, na Vila Mariana, zona sul da capital. Nesta tarde, o delegado Virgílio Guerreiro Neto, titular da 2ª Delegacia de Saúde Pública, atenderá a imprensa e dará detalhes da apreensão.

O local é alvo de investigação desde o início do mês, quando um menino espanhol, de apenas 6 anos, teria sido vítima de racismo. Segundo a denúncia, no dia 30 do mesmo mês, um funcionário do estabelecimento teria expulsado a criança do restaurante ao confundi-la com um menino de rua. O fato foi registrado no mesmo dia pela mãe da garoto, uma turista espanhola de 42 anos, identificada apenas como Cristina.

Entenda o caso: Polícia investiga se menino espanhol sofreu racismo em pizzaria em SP

Ao lado de sua família, Cristina desembarcou no Brasil em meados de dezembro para passar férias. Ela explicou que seu filho, que não fala português, estava sozinho na mesa, enquanto ela e o marido se serviam. Como não conseguiu esclarecer a situação ao empregado do restaurante, o menino acabou sendo expulso do local.

Agência Brasil
Caso gerou comoção e manifestação foi organizada na internet

Após repararem que a criança não estava mais na mesa, os pais saíram em busca do garoto e o encontraram chorando na rua perto dali muito assustado. No entanto, o restaurante alega que ninguém tocou no menino e que ele mesmo teria se levantado da mesa e saído do estabelecimento ao ser perguntado por seus pais.

Manifestação

No dia 7 de janeiro, um pequeno número de pessoas fez um 'panelaço' contra atitudes racistas em frente ao restaurante. A manifestação, pacífica, foi organizada pela internet. A estudante Carina Paola Cardenas, uma das idealizadoras do protesto, disse que o objetivo é chamar a atenção para o preconceito racial.

“Pretendemos mostrar às pessoas que o racismo existe. Não se consegue mudá-lo somente por leis. O que muda isso é a conscientização. Por isso, estamos estimulando o boicote aos estabelecimentos que tenham esse tipo de política de maltratar pessoas seja por causa da raça ou por questão social.”

Os sócios do restaurante disseram que não iriam se manifestar sobre o caso até a conclusão do inquérito policial.

*com EFE e Agência Brasil

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