Quadros do artista foram encontrados em galeria de condomínio de luxo no litoral de SP. Filho de Adelmir atestou a falsificação

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Quadro falso de um cangaceiro apreendido. Uma década antes de morrer, artista já teria parado de pintar este tipo de personagem
Divulgação
Quadro falso de um cangaceiro apreendido. Uma década antes de morrer, artista já teria parado de pintar este tipo de personagem
A Polícia Civil de São Paulo apreendeu oito cópias falsificadas de quadros do pintor cearense Aldemir Martins (1922-2006), um dos mais reconhecidos do Brasil. Quatro pinturas foram recolhidas, na sexta-feira, no interior de uma galeria no condomínio Riviera de São Lourenço na cidade de Bertioga, litoral paulista.

Três pinturas estavam com um colecionador e uma foi interceptada no momento da entrega, no bairro da Aclimação, região central de São Paulo. Todos os quadros foram enviados a representantes do pintor, que atestaram a falsificação. "Estamos investigando possivelmente um estelionato, mas também existe a possibilidade da falsificação de documentos", disse o delegado José Roberto de Arruda, da Delegacia de Repressão a Crimes Cometidos Contra Fé Pública do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic).

Durante a investigação, os policiais chegaram a um empresário do setor agrícola, proprietário de três obras adquiridas na galeria: os quadros "Mulher", datado de 2000, e dois com o nome de "Gato", datados de 2000 e 2001. Todos apresentavam certificado de autenticidade assinado pelo próprio pintor, com firma reconhecida em cartório.

No entanto, o Estúdio Aldemir Martins, dirigido por Pedro Martins, filho do artista, atestou a falsificação das obras. Conforme o Deic, o empresário revelou que receberia um novo quadro na sexta-feira, dia 5, e os policiais interceptaram o furgão da entrega no bairro da Aclimação.

No veículo estava a pintura intitulada "Cangaceiro", datada de 2000. Segundo representantes do espólio, Martins deixou de pintar esse personagem pelo menos uma década antes de morrer.

Em seguida, os policiais foram até a galeria de Bertioga e apreenderam pinturas acrílicas sobre tela, gravuras, notas fiscais e documentos. O valor cobrado pelas obras não foi divulgado.

O dono da empresa deverá comparecer à delegacia para esclarecer o comércio das obras. O material apreendido foi encaminhado para avaliação do Instituto de Criminalística (IC).

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